Pedido de demissão por Pazuello causa repercussão negativa entre autoridades

Ministério da Saúde, no entanto, diz que o general permanece no cargo até o presente momento

O presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Foto: Carolina Antunes/PR

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O pedido de demissão do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, já causa intensa repercussão entre autoridades. O general alegou problemas de saúde, mas a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao cenário eleitoral teria pressionado o Palácio do Planalto a trocar o comandante da pasta.

 

 

Em sua rede social, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, afirmou que “o enfrentamento da pandemia exige competência técnica”, mas também requer “ampla e experiente capacidade de diálogo político” para lidar com os gestores estaduais e os poderes Legislativo e Judiciário.

 


 

Presidente nacional do PT, a deputada Gleisi Hoffmann (PR) disse que “é mais um efeito Lula no desgoverno Bolsonaro” e afirmou que “a crise não se resolve” se o presidente da República permanecer no cargo. “Ele é o grande culpado pelo Brasil ser o epicentro da pandemia e pária do mundo.”

Líder do PSOL na Câmara, a deputada federal Talíria Petrone (RJ) acusou Pazuello de “negacionista” e afirmou que sua gestão resultou em um “genocídio”. Também do PSOL, Marcelo Freixo (RJ) pediu que o general “responda por todos os crimes que cometeu no Ministério da Saúde”.

Tábata Amaral (PDT-SP) escreveu que “não tem como fazer o enfrentamento sério de uma pandemia com quatro ministros da Saúde”, porque “sem continuidade, perde-se planejamento e gestão”.

Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo no Congresso, disse que “Pazuello entra para a história como o pior ministro da Saúde de todos os tempos”.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) lamentou a notícia. “Parece que vamos para o 4º ministro da saúde em 1 ano. Mais um recorde espantoso e mais uma prova de que o problema principal está em outro lugar: em quem não sabe nomear ou atrapalha quem é nomeado.”

Diante das especulações, os governadores enviaram cartas ao ministro em que pedem a regulamentação da lei que permite que estados e municípios comprem as vacinas contra o coronavírus. Toda a aquisição integraria o Plano Nacional de Imunização. Também solicitaram a implementação de medidas restritivas em âmbito federal e uma agenda com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para tratar da vacinação.

Em nota, o Ministério da Saúde diz que, até o presente momento, Pazuello permanece no cargo, “com sua gestão empenhada nas ações de enfrentamento da pandemia no Brasil”. De acordo com o jornal O Globo, estão cotados para o posto dois médicos cardiologistas: Ludhmila Hajjar, professora da Universidade de São Paulo, e Marcelo Queiroga, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

 


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