Para apoiar Guilherme Boulos, PCB desiste de candidatura em SP

Além do partido, o PSOL tem recebido apoio de artista e intelectuais historicamente ligados ao PT

"Estamos em um momento histórico: derrotar o bolsonarismo é um objetivo muito forte nesta eleição", diz Boulos. (Foto: Reprodução/Facebook)

Política

O Partido Comunista Brasileiro (PCB), que tinha como pré-candidato à prefeitura de São Paulo o professor Antonio Carlos Mazzeo, decidiu abrir mão da disputa na capital para apoiar o candidato do PSOL, Guilherme Boulos.

“Na cidade de São Paulo, diante do apelo de massas da candidatura de Boulos e Erundina, protagonismo de movimentos populares, como o MTST, a construção de uma Frente Única se torna viável e necessária para levarmos essa candidatura à vitória nas eleições”, diz nota assinada pela Comissão Política Regional de São Paulo do PCB e divulgada neste domingo, 13.

A sigla cita ainda as dificuldades de reorganização da esquerda após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, e a não efetivação de uma frente única na maioria das principais cidades do País.

 

Frente Ampla 

Em São Paulo, a construção da frente deve se dar de forma “programática” e “ampla”, diz o PCB. “Requer uma maior responsabilidade dos companheiros do PSOL, no sentido de soldarem a unidade e incorporarem na campanha os mais diversos apoios de outros partidos de esquerda, movimentos populares e as mais distintas bases de lutadores sociais, o que implica a disposição de construir uma unidade realmente coletiva.”

A oficialização do apoio ao PSOL será feita em convenção partidária na próxima terça-feira, 15, às 19h.

O PCB pretendia lançar o professor Antonio Carlos Mazzeo para a prefeitura de São Paulo. Doutor em história econômica pela Universidade de São Paulo e livre-docente em ciência política pela Universidade Estadual Paulista, Mazzeo iniciou sua vida política no PCB e hoje é dirigente nacional do partido. “Eu era estudante e gritava pelo movimento estudantil, contra a ditadura militar, no PCB clandestino”, contou em entrevista ao Estadão no dia 2 de setembro.

Mazzeo chegou a sair como candidato ao Senado em 2010 e à Câmara Municipal de São Paulo em 2016, mas não foi eleito. Nesta entrevista, contou que o partido vive um momento de “reconstrução revolucionária” e concentra seus trabalhos atualmente em trazer para a sigla a juventude trabalhadora e universitária, os presidentes dos movimentos sindicais e os professores.

Já no começo deste mês, Mazzeo afirmou que estava conversando com forças de esquerda para decidir se seria mais útil fazer uma aliança ou continuar independente. Ele citou o “momento difícil” que o País vive. “Você tem uma fragmentação muito grande e um acirramento ideológico que há muito tempo o Brasil não via.”

Além do PCB, o PSOL tem recebido apoio de artista e intelectuais historicamente ligados ao PT, que lançou Jilmar Tatto à Prefeitura.

Para a Câmara Municipal de São Paulo, o PCB vai manter suas duas candidaturas, as chamadas “Bancada do Poder Popular” e “Bancada da Juventude Trabalhadora”. “A ideia é fazer um mandato coletivo. Será um compromisso formal do partido de fazer discussões e decidir tudo coletivamente”, explica Mazzeo.

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