Política
Paes nada de braçada no Rio, enquanto Ruas encalha até entre eleitores de Flávio Bolsonaro
Ao candidato do PL resta sonhar com uma migração em massa de indecisos, mas o tempo e o STF jogam contra seus planos
A pesquisa Quaest divulgada na terça-feira 25 reforça o favoritismo de Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. O ex-prefeito da capital soma 37% das intenções de voto e liquidaria a fatura ainda no primeiro turno, uma vez que seus adversários, somados, amealham 27% da preferência. O segundo colocado, Douglas Ruas (PL), tem apenas 14% e empaca em praticamente todos os segmentos do eleitorado.
O mesmo levantamento aponta que Flávio Bolsonaro (PL) tem 31% das intenções de voto para presidente no Rio, tecnicamente empatado com Lula (PT), que marca 29%. Ou seja: boa parte dos eleitores que projetam votar no filho de Jair Bolsonaro rejeitam a dobradinha com o candidato dele ao Palácio Guanabara.
Paes goleia Ruas por 53% a 3% entre lulistas, por 61% a 3% na esquerda não lulista e por 33% a 5% entre os independentes. Na direita não bolsonarista, o candidato do PSD aparece numericamente à frente por 29% a 28%. O postulante do PL só triunfaria no eleitorado bolsonarista, por 39% a 22%.
O ex-prefeito lidera entre mulheres (38% a 10%) e homens (34% a 19%). Também venceria em todas as faixas etárias: 32% a 16% entre eleitores de 16 a 34 anos, 39% a 14% na faixa de 35 a 59 anos e 42% a 11% no eleitorado de 60 anos ou mais.
Na divisão por renda, Eduardo Paes segue absoluto: 36% a 11% na faixa até dois salários mínimos, 38% a 13% entre dois e cinco salários, e 39% a 18% entre os que ganham mais de cinco salários mínimos. Ruas também perderia em todos os recortes de escolaridade e de raça.
Embora o favoritismo de Paes à luz das pesquisas seja incontestável, a sondagem da Quaest mostra que 69% dos entrevistados estão indecisos em relação ao voto para governador na modalidade espontânea, na qual o instituto não apresenta previamente os nomes dos candidatos. Neste caso, Paes marcou 16% e Ruas, 7%.
Mesmo no sistema estimulado, em que o entrevistador lista os candidatos, há um expressivo contingente de 20% de indecisos e de outros 16% que projetam votar em branco, anular o voto ou não comparecer à urna. Além disso, 42% dos participantes disseram que ainda podem mudar a escolha até 4 de outubro, um alento para a campanha de Ruas.
O relógio, no entanto, também joga contra as pretensões de Douglas Ruas, já que restam apenas 39 dias até o primeiro turno. Seu plano inicial era virar governador-tampão por meio de uma eleição indireta via Assembleia Legislativa, aproveitando-se da renúncia de seu correligionário Cláudio Castro para se tornar mais conhecido, mas a ideia fracassou: o Supremo Tribunal Federal segura há mais de quatro meses o julgamento de ações sobre um pleito suplementar no Rio, o que provavelmente permitirá ao interino Ricardo Couto permanecer no poder até 6 de janeiro, dia da posse do vitorioso nas urnas em outubro.
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