Política

Padre indiciado pela PF por conspiração de 2022 criou uma ‘oração ao golpe’

A informação consta do relatório final da investigação sobre a trama bolsonarista, enviado ao Supremo Tribunal Federal

Padre indiciado pela PF por conspiração de 2022 criou uma ‘oração ao golpe’
Padre indiciado pela PF por conspiração de 2022 criou uma ‘oração ao golpe’
Padre José Eduardo de Oliveira e Silva — Foto: Reprodução/Instagram
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Indiciado pela Polícia Federal no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado, o padre José Eduardo de Oliveira e Silva repassou via WhatsApp uma espécie de “oração ao golpe”, na qual pedia a todos os brasileiros que incluíssem em suas preces os nomes de militares que poderiam se envolver na trama.

A informação consta do relatório final da investigação, enviado pela PF ao Supremo Tribunal Federal. O sacerdote da Diocese de São Paulo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 35 pessoas foram enquadrados em três crimes: golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

O contéudo do documento veio a público nesta terça-feira 26. Segundo os investigadores, José Eduardo enviou a mensagem em 3 de novembro de 2022, dias após a vitória de Lula (PT) na disputa presidencial. Na oração constam os nomes do então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e de outros generais, como Estevam Teophilo, à época chefe do Comando de Operações Terrestres.

Nela, o religioso defende que todos os brasileiros — católicos e evangélicos — incluam o ministro e os militares em suas orações, “pedindo para que Deus lhes dê a coragem de salvar o Brasil, lhes ajude a vencer a covardia e os estimule a agir com consciência histórica e não apenas como funcionários público (sic) de farda”.

Reprodução/PF

O então comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, também aparece na lista. O general, contudo, foi um dos que resistiram às pressões para aderir à articulação golpista, de acordo com as investigações da PF. A oração foi inicialmente enviada ao frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, colega do padre.

José Eduardo tem 41 anos e nasceu em Piracicaba, no interior de São Paulo. Sua fama na internet começou em 2017, após ele sugerir a criação de um “calmante em forma de supositório” e dizer que tinha “saudades dos tempos em que o banheiro servia só para necessidades fisiológicas e não para exibicionismos de autoafirmação sexual”.

Segundo os investigadores da PF, o religioso participou de uma reunião com Bolsonaro em Brasília para cuidar de “tratativas com militares de alta patente sobre a instalação de um regime de exceção constitucional”. A defesa do padre nega qualquer envolvimento dele na trama golpista.

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