Paciente diz que Prevent Senior tentou convencer família a desligar aparelhos: ‘Não me reanimariam’

Tadeu Andrade afirmou à CPI que recebeu medicamentos do kit Covid: 'Como leigo, fiquei cinco dias tomando. Ao invés de melhorar, eu piorei'

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Política,Saúde

O advogado Tadeu Frederico de Andrade, paciente da Prevent Senior, revelou à CPI da Covid nesta quinta-feira 7 que médicos do plano de saúde recorreram ao prontuário de outra cliente para tentar convencer a família dele a retirá-lo da UTI e direcioná-lo a cuidados paliativos.

 

 

 

A alegação de médicos da Prevent Senior seria a de que Andrade, que à época estava intubado, não tinha possibilidade de se recuperar. Aos senadores, o depoente relatou que uma médica da operadora disse a suas filhas que, com cuidados paliativos, “teria maior dignidade e conforto, e meu óbito ocorreria em poucos dias”. Assim, os equipamentos da UTI que o mantinham vivo seriam desligados.

Na etapa de cuidados paliativos, a orientação da Prevent Senior seria para que a equipe médica não tentasse reanimá-lo em caso de parada cardíaca.

“Seria ministrada em mim uma bomba de morfina, e todos os meus equipamentos de sobrevivência na UTI seriam desligados. Inclusive, se eu tivesse uma parada cardíaca, teria uma recomendação para não haver uma reanimação”, contou Andrade.

A família se opôs à decisão dos médicos e ameaçou acionar a Justiça, o que teria levado a Prevent a recuar. “Minha família não concorda nessa reunião com início dos cuidados paliativos, se insurge, ameaça ir à Justiça buscar uma liminar para impedir que eu saia da UTI e ameaça procurar a mídia. Nesse momento, a Prevent recua e cancela o início do tratamento paliativo, ou seja, eu em poucos dias estaria vindo a óbito e hoje estou aqui”.

Andrade ainda confirmou aos senadores que, por orientação de médicos do plano de saúde, recebeu o chamado kit Covid, composto por medicamentos ineficazes contra o novo coronavírus. Ele ficou 30 dias internado na UTI.

“No caso fiz uma tele-consulta, a médica indicou…não chamou de kit Covid. Ela chamou de tratamento precoce. Eu, como leigo, fiquei cinco dias tomando. Ao invés de melhorar, eu piorei. Acho que isso é que foi o erro”, contou. “Eu fui internado uma semana depois já com a pneumonia avançada”.

O outro lado

Em nota distribuída pela assessoria de imprensa, a Prevent Senior tentou se defender das denúncias de Andrade. A empresa afirmou que o tratamento paliativo foi “sugestão” de uma médica, não uma determinação.

“A Prevent Senior refuta ter iniciado tratamento paliativo ao paciente Tadeu Frederico de Andrade sem autorização da família”, diz a nota. “Frise-se: a médica fez uma sugestão, não determinação. O paciente recebeu e continua recebendo todo o suporte necessário para superar a doença e sequelas”.

 

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