Política

Pacheco rechaça qualquer chance de o Senado analisar o voto impresso: ‘Questão resolvida’

‘Renovo a confiança no TSE’, declarou o presidente da Casa Alta, um dia depois de a Câmara enterrar a PEC da bolsonarista Bia Kicis

O senador Reguffe e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
O senador Reguffe e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), reforçou na tarde desta quarta-feira 11 que a adoção do voto impresso para as eleições de 2022 é página virada, um dia depois de a Câmara dos Deputados enterrar uma PEC de autoria da bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF).

“Indagaram-me a respeito de uma PEC parecida que há no Senado desde 2015, mas considero que esse pronunciamento da Câmara em relação a esse tema torna definitiva e resolvida essa questão, não cabendo ao Senado qualquer tipo de deliberação ou de tramitação de uma matéria com o mesmo objeto”, declarou Pacheco em pronunciamento no Senado.

“Quero reiterar a minha confiança na Justiça Eleitoral, que possa se desincumbir dos caminhos das eleições de 2022 com o máximo de lisura, sem qualquer tipo de fato que possa ser apontado em relação a fraude ou qualquer coisa que o valha. Então, renovo essa confiança no Tribunal Superior Eleitoral e na Justiça Eleitoral, e que tenhamos a normalidade do processo eleitoral em 2022, pilar que é da democracia e do Estado Democrático de Direito”, completou.

Mais cedo, o vice-presidente Hamilton Mourão classificou como “encerrado” o debate sobre o voto impresso.

“Acho que o assunto foi colocado, a própria Justiça Eleitoral acho que ela vai se esforçar para, dentro do processo que existe, dar mais publicidade e transparência. Acho que, no final das contas, saímos bem disso aí”, disse o general, nesta quarta-feira 11, ao chegar ao Palácio do Planalto.

“Assunto está encerrado. Congresso decidiu, está decidido”, completou Mourão.

O voto impresso, que se transformou na principal obsessão de Jair Bolsonaro, era peça central nas ameaças e nos ataques do presidente ao sistema eleitoral brasileiro e à realização do pleito de 2022. Na Câmara, foram 229 votos favoráveis à PEC, 218 contrários e uma abstenção. Para que a proposta fosse aprovada, precisava de ao menos 308 votos (3/5 dos deputados).

Nesta quarta, apesar da derrota entre os deputados, Bolsonaro tornou a indicar que não aceitará o resultado das eleições do ano que vem.  “A gente não pode deixar que meia dúzia de funcionários, numa sala escura, conte os votos e decida as eleições”, afirmou a apoiadores no ‘cercadinho’ do Palácio da Alvorada.

A postura do chefe do Executivo Nacional contraria o que disse o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), antes da sessão em que a Casa rechaçou o voto impresso. Na tarde de terça-feira, ele afirmou que havia “um compromisso do presidente da República de que cumprirá e aceitará o resultado do plenário”.

Na noite de terça, minutos após a decisão do plenário da Câmara, Lira declarou que, “com respeito à Câmara, este assunto está, neste ano e com esse viés de constitucionalidade, encerrado”.

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