Política
Os detalhes da reação dos eleitores ao áudio de Flávio Bolsonaro, segundo a AtlasIntel
Os resultados, segundo o instituto, indicam que o senador consegue manter o apoio do ‘núcleo duro’, mas afugentou eleitores não alinhados
O instituto AtlasIntel concluiu que a reação dos eleitores ao áudio da conversa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro reflete “a resiliência da polarização política”, com uma percepção ligeiramente positiva do bolsonarismo e uma avaliação negativa de parcelas avessas à extrema-direita.
Os dados resultam da aplicação da ferramenta Atlas VRC, por meio da qual o instituto capta reações dos entrevistados a um determinado conteúdo audiovisual. A aplicação desse método entrou na mira da campanha de Flávio, que acionou o Tribunal Superior Eleitoral para suspender a divulgação da pesquisa de intenção de voto — a sondagem apontou uma queda expressiva das intenções de voto do pré-candidato do PL a presidente.
A análise sobre o áudio, porém, não impacta os resultados gerais do levantamento, como os números de intenção de voto, de avaliação do governo e de rejeição. Somente após o preenchimento do questionário principal, realizado via internet, o instituto conduzia os entrevistados à interface do Atlas VRC. A participação na etapa final era voluntária e não havia possibilidade de retornar à página anterior para alterar as respostas enviadas.
Em linhas gerais, este era o funcionamento: os participantes pressionavam um botão em uma barra que indicava sua satisfação em uma escala. Ao deslocarem o botão para a esquerda, sinalizavam uma percepção mais negativa do conteúdo; ao movê-lo para a direita, apontavam uma recepção mais positiva. Era possível, assim, avaliar a reação de cada entrevistado ao longo de todo o vídeo, segundo a segundo.
O AtlasIntel concluiu que a reação ao áudio está em um degrau próximo à neutralidade: em uma escala de 0 (muito negativo) a 1 (muito positivo), a reação média do eleitorado esteve acima de 0,4 ao longo de toda a reprodução do conteúdo.
“Esse resultado reflete em termos gerais a resiliência da polarização política na sociedade brasileira”, anota o instituto. “O impacto mais negativo do conteúdo se restringe a parcelas do eleitorado já avessas ao bolsonarismo, sendo compensado pela reação ligeiramente positiva dos segmentos em que a oposição possui maior apoio.”
Entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro (PL) em 2022, a avaliação oscilou ao redor de 0,55 (ligeiramente positiva, portanto), enquanto os eleitores de Lula (PT) estiveram em torno de 0,33 (percepção negativa).
Um dos destaques é o recorte por faixa etária: os grupos de 16 a 24 anos e de 25 a 34 anos tiveram as reações mais críticas ao áudio. Por outro lado, as faixas de 35 a 44, de 45 a 59 e de 60 a 100 anos reagiram de modo mais positivo.
Para vencer Lula, Flávio busca votos no eleitorado de centro ou nas fatias menos identificadas com os principais polos da disputa. Neste caso, um dado é negativo para o senador: reagiram negativamente ao áudio os brasileiros que declararam voto em branco ou nulo em 2022 e aqueles que sequer votaram há quatro anos.
“Esses segmentos registraram os piores índices de avaliação ao final da reprodução do conteúdo dentre todas as segmentações demográficas analisadas, indicando elevado grau de rejeição ou desconforto em relação às falas apresentadas”, enfatizou o instituto.
O AtlasIntel concluiu, à luz dos resultados sobre o áudio, que Flávio Bolsonaro é bem-sucedido em preservar o apoio de seu “núcleo duro”, mas vê se afastar o eleitor circunstancial de centro ou alheio à “polarização” — que, por natureza, é mais volátil. A rejeição a Lula no segmento, porém, permite uma eventual recuperação do pré-candidato do PL.
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