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Os desafios de manter atendimento médico a Bolsonaro 24h por dia, segundo a Secretaria de Saúde do DF
As informações serão analisadas por Moraes, que decidirá posteriormente qual encaminhamento dar ao caso
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou ao Supremo Tribunal Federal as ações necessárias e os desafios para a manutenção do atendimento médico integral ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na Papudinha.
Ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo sobre a trama golpista na Corte, a SES-DF afirmou que cumprir a determinação de oferecer atendimento médico 24 horas a Bolsonaro não será tão fácil.
A pasta destacou que existe um déficit crítico de médicos no sistema de saúde local. Além disso, há uma preocupação de como atender à decisão judicial sem retirar os médicos de outros hospitais, o que poderia prejudicar o restante da população.
A secretaria também alertou que o funcionamento padrão das unidades prisionais é apenas em dias úteis e horário comercial, o que exige uma reorganização administrativa excepcional para o regime de 24 horas.
Entre as ações que ainda precisam ser cumpridas, estão a elaboração de diretrizes para definir as atribuições entre a SES/DF, a Secretaria de Administração Penitenciária distrital e os médicos particulares do ex-presidente.
A secretaria apontou ainda a necessidade de pagamento de trabalho em período diferenciado para os servidores e articulação com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde para obtenção de mais médicos de emergência para realizar o atendimento.
O secretário de saúde, Juracy Cavalcante, informou ainda que há a necessidade de construir um local físico para atendimento médico dentro do Complexo da Papuda e a articulação com o Corpo de Bombeiros para utilização de transporte aéreo em caso de emergências graves.
As informações serão analisadas por Moraes, que decidirá posteriormente qual encaminhamento dar ao caso. Bolsonaro está cumprindo pena privativa de liberdade por liderar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.
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