Política

Os argumentos de Moraes para negar prisão domiciliar para Bolsonaro

O ministro lembrou episódios onde o ex-presidente descumpriu as medidas cautelares

Os argumentos de Moraes para negar prisão domiciliar para Bolsonaro
Os argumentos de Moraes para negar prisão domiciliar para Bolsonaro
Moraes lê seu voto no julgamento de Bolsonaro no STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou nesta sexta-feira 19 o pedido da defesa de Jair Bolsonaro (PL) para a concessão de prisão domiciliar. Ao negar a domiciliar, Moraes afirmou que o ex-presidente foi condenado pela prática de crimes gravíssimos contra o Estado Democrático de Direito, praticados com violência e grave ameaça, bem como por liderar complexa organização criminosa.

O ministro lembrou ainda do episódio em que Bolsonaro danificou a tornozeleira eletrônica e classificou o caso como “atos concretos visando a fuga”. “Não bastasse isso, durante a instrução processual penal, o réu Jair Messias Bolsonaro praticou, tanto reiterados descumprimentos das medidas cautelares diversas da prisão, quanto atos concretos visando a fuga”, registrou.

A tese de que Bolsonaro planejava fugir, segundo Moraes, é reforçada com a descoberta do documento em que o ex-presidente pedia asilo ao presidente ultraliberal Javier Milei, da Argentina. O ministro citou ainda o fato de Eduardo Bolsonaro morar nos Estados Unidos e o episódio de 2024 em que Bolsonaro dormiu na embaixada da Hungria.

“Ressalte-se, ainda, que o modus operandi da organização criminosa (…) indica a possibilidade de planejamento e execução de fugas para os Estados Unidos, onde se encontra o filho do custodiado Eduardo Bolsonaro, como feito pelo réu Alexandre Ramagem, inclusive com a ajuda de terceiros, conforme destacado pela Polícia Federal.

Segundo Moraes, as alegações da defesa para pedir a domiciliar são “absolutamente contraditórias com o próprio histórico” de Bolsonaro. A tese de que Bolsonaro precisaria estar em casa para cuidar da saúde também foi rejeitada pelo relator, já que o ministro reforçou que o ex-presidente tem condições de fazer os tratamentos de saúde que precisa na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal.

“O réu está custodiado em local de absoluta proximidade com o hospital particular onde realiza atendimentos emergenciais de saúde – mais próximo, inclusive, do que o seu endereço residencial – de modo que não há qualquer prejuízo em caso de eventual necessidade de deslocamento de emergência“, completou.

Leia a íntegra da decisão de Moraes:

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