Oposição quer derrubar veto de Bolsonaro na distribuição gratuita de absorventes

Congressistas classificaram decisão do presidente como ‘misógina’, ‘desumana’, ‘insensível’ e ‘cruel’

Deputada federal Talíria Petrone. Foto: Câmara dos Deputados

Deputada federal Talíria Petrone. Foto: Câmara dos Deputados

Política

Líderes e vice-líderes da oposição na Câmara e no Senado prometem derrubar o veto do presidente Jair Bolsonaro ao projeto que prevê a distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda de escolas públicas e mulheres em situação de rua ou vulnerabilidade social.

A decisão presidencial foi publicada nesta quinta-feira 7 no Diário Oficial e gerou reações contrárias de deputados e senadores nas redes sociais.

As deputadas Talíria Petrone, líder do PSOL na Câmara, Vivi Reis e Fernanda Melchionna, vice-líderes do partido, classificaram o projeto como um ‘ataque aos direitos’, ‘desrespeito às pessoas que menstruam’ e ‘negação da dignidade aos mais pobres’.

“Absurdo. O presidente é contra os direitos das pessoas que menstruam! Vamos lutar para derrubar esse veto”, escreveu Talíria Petrone.

Vivi Reis publicou: “É tudo que o governo sempre faz, negar um mínimo de dignidade aos mais pobres. Crápulas!”

“Bolsonaro ignora o grave problema da pobreza menstrual, que atinge milhares no Brasil. Vamos batalhar para que o veto seja derrubado”, reagiu Fernanda Melchionna.

O líder da minoria na Câmara, Marcelo Freixo (PSB), também prometeu atuar pela derrubada do veto. “É uma covardia. Vamos derrubar o veto no Congresso”, garantiu o parlamentar.

Ivan Valente, que também compõe a bancada de lideranças do PSOL, afirmou que “Bolsonaro governa para os ricos e para o sistema podre do Guedes e do Centrão”, repudiando o veto.

A vice-líder da minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB), disse que o veto “mostra a insensibilidade deste desgoverno” e completou dizendo que Bolsonaro trabalha “para enriquecer o ministro da economia” e não “para garantir dignidade” às mulheres.

Outro integrante do PCdoB na Câmara a reagir foi Orlando Silva, vice-líder do partido, que escreveu em suas redes que “Bolsonaro reúne o que há de pior no ser humano: crueldade sádica e ódio aos pobres”. Segundo o parlamentar, no futuro “dirão que o Brasil foi governado por um degenerado”.

Pelo PT, o deputado Elvino Bohn Gass, que comanda a bancada, publicou também garantindo que irá trabalhar pela derrubada do veto presidencial. “Há casos em que mulheres usam até miolo de pão em substituição ao absorvente. Temos de derrubar o veto de Bolsonaro”, escreveu. “Questão de respeito e saúde”, completou.

A deputada Erika Kokay (PT), que integra a coordenação do bloco da minoria, afirmou que com o veto “Bolsonaro demonstra, mais uma vez, sua misoginia e crueldade”. Já a presidenta da legenda, deputada Gleisi Hoffmann, destacou: “Mais uma vez, Bolsonaro demonstra seu ódio às mulheres, sobretudo às mais pobres”.

À frente da oposição, Alessandro Molon (PSB) chamou o presidente de “desumano” e afirmou que a bancada irá lutar para derrubar a decisão presidencial no Congresso.

No Senado, Randolfe Rodrigues (Rede), líder da oposição, classificou a decisão do ex-capitão como “insensível, cruel, desumana”. Alessandro Vieira (Cidadania) disse que o projeto é um “verdadeiro desrespeito às que mais precisam”. Ambos prometeram derrubar o veto. Zenaide Maia (PROS), que comanda o bloco Resistência Democrática, também garantiu a articulação para reverter a decisão.

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Repórter do site de CartaCapital

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