ONGs ‘fazem barulho’ sobre Amazônia por interesse econômico, diz ministro

Ricardo Salles atribuiu os problemas socioambientais da região à pobreza e defendeu que empresas participem da solução 'desde o nascedouro'

Ministro Ricardo Salles - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ministro Ricardo Salles - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Política,Sustentabilidade

Em meio a uma crise de proporções internacionais envolvendo as queimadas na Amazônia, o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, esteve em São Paulo para um agenda de entrevistas e encontros com entidades patronais. Em evento na Associação Comercial de São Paulo, na tarde desta segunda-feira 26, Salles atribuiu os problemas socioambientais da região à pobreza, e acusou os governos anteriores de não ter resolvido essas questões.

“Tem cerca de 850 garimpos ilegais na Amazônia, e eles não começaram em primeiro de janeiro. Também não souberam resolver o manejo ilegal. Se tivesse tudo OK e tivéssemos desmontando… Mas não tava nada OK”, acusou. Para Salles, faltou às gestões passadas uma agenda ‘sustentável’ de desenvolvimento econômico para a Amazônia, e que a fiscalização não é o bastante para evitar os problemas. “Deixar essa turma sem recursos para boa qualidade de vida é convite à ilegalidade. Não estamos falando de fiscalizar uma praça, é uma área gigantesca. Precisa de operação de controle? Sim. Mas só isso vai resolver? Não.”

Balanços oficiais, porém, apontam uma tendência significativa de aumento do desmatamento e das queimadas sob o governo Bolsonaro. Entre 1 de janeiro e 22 de agosto, segundo dados do Inpe, foram registrados 76.720 focos de incêndios, 85% a mais do que no mesmo período do ano passado. Os satélites mostram que mais de 80% do território consumido pelo fogo está na Amazônia. O desmatamento também cresceu, especialmente entre maio e julho (34%, 88% e 212%, respectivamente, em relação aos mesmos meses de 2018).

Especialistas atribuem esse aumento ao afrouxamento da fiscalização. Em abril, o Ibama perdeu 89 milhões no orçamento, comprometendo a capacidade de fiscalização do órgão, alvo recorrente de ataques do Planalto. No dia 10 de agosto, dezenas de moradores nas cidades de Altamira e Novo Progresso, no Pará, combinaram por WhatsApp incendiar as margens da BR-163. A intenção deles era demonstrar apoio às ideias de “afrouxar” a fiscalização do Ibama e, quem sabe, conseguir o perdão das multas pelas infrações. A intentona foi chamada de Dia do Fogo.

Documentos mostram que o governo fora alertado sobre o problema três dias antes de as queimadas começarem. No dia 8, o Ministério Público de Santarém, no Pará, enviou ao Ibama um ofício sobre o plano. Apenas neste sábado 24, quando o tema já havia ganhado proporções internacionais, é que o presidente autorizou o uso das Forças Armadas no combate aos focos de incêndio.

Salles também criticou a atuação das ONGs na região. “Como tudo na vida, tem gente boa e gente ruim. Tem bons e mais projetos, coisas que trazem resultado, outras não. Coisas que são pretexto pra tomar dinheiro. Muitas dessas entidades que fazem barulho tem interesses econômicos. O sentimento de descontentamento dá mais pretexto para angariar recursos”, justificou. O ministro evitou, entretanto, dar nome a essas entidades. Resumiu o ministro: “O raciocínio já foi grandemente exposto”.

Para sanar o problema, ele defendeu que o setor privado participe da concepção dos projetos ‘desde o nascedouro’, inclusive no investimento em pesquisa. “O que ocorreu até agora é que só um lado participou da conversa. Se tivesse participado, já teríamos todos esses temas equacionados”, completou aos empresários. Muitos demonstraram interesse em participar eles próprios do projeto governista de desenvolvimento para a região. As intervenções da plateia foram marcadas por críticas à imprensa, à legislação ambiental e… às ONGs.

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