Observatório do Clima chama discurso de Bolsonaro na ONU de “delírio”

Em discurso de abertura, presidente afirmou que Brasil sofre desinformação e é referência no meio ambiente e nos direitos humanos

Foto: Reprodução

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Política

O Observatório do Clima, entidade composta por 50 organizações não governamentais e movimentos sociais sobre o meio ambiente, diz que o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira 22 é um “novo delírio que envergonha o país “.

“Ao arrasar a imagem internacional do Brasil como está arrasando nossos biomas, Bolsonaro prova que seu patriotismo sempre foi de fachada”, diz Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

“Acusou um conluio inexistente entre ONGs e potências estrangeiras contra o país, mas, ao negar a realidade e não apresentar nenhum plano para os problemas que enfrentamos, é Bolsonaro quem ameaça nossa economia. O Brasil pagará durante muito tempo a conta dessa irresponsabilidade. Temos um presidente que sabota o próprio país”, afirma Astrini.

 

Desmatamento 

 

Em seu discurso, Bolsonaro disse que sofre campanhas “brutais” de desinformação em relação aos dados de desmatamento e queimadas nas florestas. Além disso, afirmou que seu governo é referência em gestão ambiental, com “tolerância zero” para crimes contra a natureza.

Bolsonaro fez a declaração após afirmar que, apesar da pandemia do coronavírus, o agronegócio brasileiro “continua pujante” e, acima de tudo, “possuindo e respeitando a melhor legislação ambiental do planeta”.

“Mesmo assim, somos vítimas das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. Amazônia brasileira é riquíssima, e isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos, que se unem a associações brasileiras aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”, afirmou o presidente.

O presidente declarou que “somos líderes em conservação de florestas tropicais” e afirmou que as queimadas ocorrem praticamente nos mesmos lugares.

“Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior”, afirmou. “Os incêndios acontecem praticamente nos mesmos lugares, no entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam os seus roçados em busca de sua sobrevivência em áreas já desmatadas. Os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação.”

 

Imprensa “politizou” a pandemia, afirma presidente

 

Bolsonaro lamentou “cada morte ocorrida” no Brasil por causa da Covid-19 e criticou novamente a imprensa sobre o índice de óbitos no País, que estão na vice-liderança do ranking mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ele afirmou que, desde o princípio, alertou que “tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego”, e disse que, por decisão judicial, as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas aos governadores.

“Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população. Sob o lema ‘fique em casa’ e ‘a economia a gente vê depois’, quase trouxeram o caos social ao país”, disse.

Na sequência, Bolsonaro enumerou medidas econômicas do seu governo, como a concessão do auxílio emergencial de 600 reais, a destinação de 100 bilhões de dólares para ações de saúde, socorro a pequenas empresas e compensação de perda de arrecadação de impostos.

Disse ainda que a “grande lição” da pandemia é “não depender apenas de umas poucas nações para produção de insumos” essenciais, em referência implícita à China, nação da qual o Brasil dependeu para obter equipamentos de proteção individual.

Bolsonaro aproveitou para citar o uso da hidroxicloroquina, mesmo sem comprovação científica da eficácia do medicamento contra a Covid-19.

“Somente o insumo da produção de hidroxicloroquina sofreu um reajuste de 500% no início da pandemia”, afirmou o presidente.

 

Governo é referência em direitos humanos, diz Bolsonaro

 

Bolsonaro afirmou também que, no campo humanitário e dos direitos humanos, “Brasil vem sendo referência internacional pelo compromisso e pela dedicação no apoio prestado aos refugiados venezuelanos”.

Em seguida, aproveitou para atacar novamente o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, como fez no discurso em 2019.

“A Operação Acolhida, encabeçada pelo Ministério da Defesa, recebeu quase 400 mil venezuelanos deslocados devido à grave crise político-econômica gerada pela ditadura bolivariana”, disse.

Além disso, afirmou que sua gestão está comprometida com os princípios da Carta das Nações Unidas, que cita o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais.

“Neste momento em que a organização completa 75 anos, temos a oportunidade de renovar nosso compromisso e fidelidade a esses ideais”, acrescentou.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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