Política
O que propõe o ‘Brasil Contra o Crime Organizado’, nova aposta de Lula por uma marca na segurança pública
A projeção é investir 11 bilhões de reais: 10 bilhões via empréstimo do BNDES para os estados e 1 bilhão da União
O presidente Lula (PT) lança, nesta terça-feira 12, o programa Brasil Contra o Crime Organizado, uma nova aposta na busca por uma marca para o governo em um dos temas centrais da disputa eleitoral neste ano.
A projeção do Palácio do Planalto é um investimento de 11 bilhões de reais: 10 bilhões via empréstimo do BNDES para os estados e 1 bilhão do Orçamento da União. O programa se dividirá em quatro eixos principais:
- asfixia financeira das organizações criminosas;
- fortalecimento da segurança no sistema prisional;
- qualificação da investigação e do esclarecimento de homicídios; e
- combate ao tráfico de armas.
A formalização do plano ocorrerá por meio de um decreto e quatro portarias. Para os estados poderem acessar os recursos do BNDES, terão de aderir oficialmente à iniciativa.
Trata-se de um tema em alta às vésperas do início da campanha eleitoral. Uma pesquisa Ideia divulgada na última quarta-feira 6 indicou que a avaliação do governo Lula na segurança pública é péssima para 32% dos entrevistados, ruim para 24,1%, regular para 24%, boa para 11,7% e ótima para 6%. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.
Já no domingo 10, o levantamento Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou que 41,2% dos brasileiros de 16 anos ou mais reconhecem a presença de grupos criminosos organizados, como facções ou milícias, no bairro onde moram. São aproximadamente 68,7 milhões de pessoas convivendo diretamente com esse poder territorial paralelo.
É um assunto que os candidatos de direita e de extrema-direita à Presidência, notadamente Flávio Bolsonaro (PL), explorarão para tentar desgastar Lula — embora o próprio senador provavelmente seja instado a explicar, por exemplo, por que empregou Danielle Mendonça da Nóbrega, ex-esposa do miliciano Adriano da Nóbrega, em seu gabinete de deputado estadual no Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público fluminense , ela recebeu 776 mil reais em salários ao longo de 11 anos.
Em 2019, Adriano da Nóbrega foi apontado pelo MP-RJ como o líder de um grupo chamado Escritório do Crime, responsável por assassinatos na região. As acusações apontaram que Adriano fez parte de uma milícia em Rio das Pedras, na Zona Oeste da capital fluminense. Morreu em 2020, em confronto com a polícia em uma operação na Bahia.
Com o Brasil Contra o Crime Organizado, Lula busca protagonismo no enfrentamento à insegurança. Um mote do governo nesta seara tem sido a promessa de atacar “o andar de cima” do crime, a exemplo do que ocorreu nas operações Carbono Oculto e Compliance Zero. É nesta direção que caminhavam as versões originais da PEC da Segurança Pública e do PL Antifacção.
A segurança pública também foi um dos temas em discussão no encontro da semana passada entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Ao retornar ao Brasil, o petista destacou a experiência da Polícia Federal no enfrentamento ao tráfico de drogas e de armas, e convidou os norte-americanos a participarem de esforços conjuntos em uma base em Manaus (AM) com a qual já contribuem as polícias de países da América do Sul, a fim de debelar o tráfico na fronteira.
“Também precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”, prosseguiu Lula. “Esta é outra frente de trabalho importante em que estamos atuando.”
Além de colher dividendos eleitorais, o governo federal espera que as novas ações contra o crime organizado demovam a Casa Branca da ideia de classificar como terroristas as principais facções criminosas brasileiras. Lula teme as implicações legais e de soberania caso essa designação passe a contemplar, por exemplo, o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital.
Além disso, há uma avaliação técnica: PCC e CV são organizações criminosas voltadas ao lucro decorrente de suas atividades ilícitas, sem motivação política ou ideológica – um elemento associado à definição de terrorismo no direito internacional.
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