Política

O que o caso Luciana Genro diz sobre as delações da Lava Jato?

Em vídeo, ex-deputada diz que citação de seu nome é infundada. Caso ajuda a mostrar que delação é parte da investigação e não prova de culpa

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Em meio ao tsunami político provocado pelas delações da Odebrecht, um episódio envolvendo a ex-deputada Luciana Genro (PSOL-RS) ajuda a colocar em perspectiva alguns dos depoimentos e a mostrar que as colaborações dos delatores, ainda que essenciais nas investigações, devem ser vistas com cautela, pois não são provas.

Genro não integra a lista de investigados apresentada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin e também não é alvo das 201 petições encaminhadas pelo magistrado a juízes de outras instâncias. Ocorre que a ex-deputada foi citada por um ex-executivo da empreiteira. Ao MPF, Pedro Novis disse ter “ouvido falar” que Genro recebeu recursos da Odebrecht em caixa 2.

A citação foi suficiente para que grupos ligados à direita dessem visibilidade ao caso, acusando Luciana Genro de ter recebido propina.

No sábado 14, Luciana Genro usou as redes sociais para responder. Transmitiu um vídeo ao vivo em que mostrou o trecho completo da delação em que seu nome aparece – mantendo o contexto. E apresentou uma versão minimamente plausível para o surgimento de seu nome.

“Eu tenho uma informação de ‘ouvir falar’, de alguns deputados federais que foram apoiados com recursos de caixa 2”, afirma Novis em seu depoimento. Quando o procurador que o interroga pede detalhes, perguntando se ele seria o operador deste caixa 2, Novis confirma o desconhecimento do caso. Não não, foram só comentários. Eu era o presidente do conselho e sobretudo a partir da criação desse sistema que operava o caixa dois da Braskem, eu não me envolvi no detalhe.”

De acordo com Luciana, ela de fato tinha um contato na Odebrecht – Alexandrino de Alencar, ex-executivo da empresa. “Houve uma troca de e-mails, a razão pela qual ele (Novis) provavelmente ouviu falar no meu nome”, afirma Luciana em seu vídeo.

Em novembro de 2013, Luciana não era mais deputada e estava à frente da ONG Emancipa, criada por ela em Porto Alegre para preparar jovens carentes para o Enem. A Odebrecht havia feito doações à ONG ao longo de 2013 e Luciana entrou em contato com Alexandrino para saber se poderia contar com os recursos no próximo ano letivo. Todas as doações para a ONG constam dos balanços financeiros da instituição, diz ela.

Na resposta, Alexandrino não fala sobre a contribuição para a ONG, mas queixa-se que o “pessoal da DS” (ala do PT) atrapalhava a atuação da Foz do Brasil, uma subsidiária do grupo para a área de saneamento, no Rio Grande do Sul. No momento da troca de emails, o governador do Rio Grande do Sul era Tarso Genro (PT), pai de Luciana. Alexandrino fala ainda em marcar um jantar de fim de ano no Rio Grande do Sul e encerra falando que “irei para a China com o seu pai e na volta falamos”.

Na tréplica exibida por Luciana, vem a defesa da ex-deputada. Ela afirma que ficou indignada com a insinuação de que poderia interferir em negócios do governo gaúcho para receber as doações. “Não trato desses assuntos com meu pai. E se tratasse, meu posicionamento político não seria favorável aos interesses da Odebrecht”, respondeu Luciana no e-mail apresentado no vídeo. “Por isso, diante das condições que colocas, entendo que o melhor é encerrarmos a parceria. Não me sinto à vontade para solicitar recursos para o Emancipa nessas condições”, afirmou no email.

Ainda que tenha se tornado alvo, Luciana Genro não recuou do apoio que dá à Lava Jato, posição que gerou diversas críticas da esquerda a ela. A ex-deputada disse que o depoimento de Novis é “hesitante” e afirma ver como reais a maioria dos casos relatados pelos ex-executivos da Odebrecht. “Tenho grande convicção de que grande parte do que os delatores falam é verdade. Até porque se mentirem perdem os benefícios da delação”, diz ela no vídeo.

CartaCapital
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