Política

“O que menos sobra é foco no índio”, diz ex-presidente da Funai

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o general Franklimberg de Freitas criticou pressão de ruralistas contra questões indígenas

Foto: Mário Vilela
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O ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), o general Franklimberg de Freitas, criticou ruralistas e afirmou que, na atual gestão da área indígena, “o que menos sobra é foco no índio”, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, nesta segunda-feira 1. O militar deixou o cargo há duas semanas, sob acusações de incompetência pelo secretário especial de Assuntos Fundiários do governo, Luiz Antônio Nabhan Garcia.

Ao veículo, Freitas rebateu as declarações de Nabhan Garcia e chamou de “muito incompetente” o assessoramento do presidente, no que diz respeito à área indígena. O general disse que Nabhan Garcia não tem conhecimento suficiente para a área e que há uma articulação do secretário especial com a bancada ruralista.

“A verdade é que a política indigenista tem sido feita apenas dentro do Palácio do Planalto. A Funai praticamente não tem conhecimento de nada. Quem assessora o presidente são essas pessoas. Levam para o presidente a informação de que sou um ongueiro, golpista, bolivariano. Jamais me identificaria com essas afirmações, mas me parece que o presidente acreditou”, comentou Freitas ao Estadão.

Perguntado sobre a mobilização da bancada ruralista para cuidar da demarcação de terras indígenas, o militar classificou o movimento como “preocupante”. Segundo ele, grande parte das demarcações ocorreu em processos de litígio com o segmento rural, ou seja, as ações que envolvem o tema, em geral, apresentam difícil consenso entre indígenas e ruralistas.

Para o ex-presidente da Funai, é verdadeira a fala do general Carlos Alberto dos Santos Cruz à revista Época, sobre haver “um show de besteiras” na cúpula do governo. Santos Cruz havia indicado Freitas ao comando da Funai. “É só o que vejo na área indígena. O que menos sobra é foco no índio. Grande parte do tempo se gasta para resolver essas interferências, essas mentiras e a pressão dessa bancada”.

A demissão de Freitas é um dos elementos que compõem a crise na Funai. Desde o início do ano, o presidente Jair Bolsonaro tenta retirar da Fundação a tarefa de demarcação das terras indígenas. No último episódio, Bolsonaro transferiu a função para o Ministério da Agricultura, mas a decisão foi suspensa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso. Na ocasião, o Ministério Público Federal manifestou, em nota, “perplexidade” com o decreto presidencial.

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