Economia
O que diz Haddad sobre disputar a eleição deste ano
O ministro afirmou que deixará o cargo ainda em janeiro. Ele pretende ajudar na campanha à reeleição de Lula
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), confirmou que deixará o comando da pasta ainda neste mês e reforçou que não pretende disputar as eleições de 2026. As declarações foram proferidas em entrevista à GloboNews, na noite de quarta-feira 14, na qual detalhou os motivos da saída, fez um balanço de sua gestão e explicou de que forma pretende trabalhar a partir de agora.
Segundo Haddad, a troca no Ministério da Fazenda deve ocorrer já no início do ano para garantir a continuidade da execução orçamentária e da programação financeira. “Eu acho que o substituto da Fazenda devia começar o ano no cargo. A Fazenda tem decreto de execução orçamentária, programação financeira, tem todo um trabalho a ser feito que exige atenção desde o primeiro dia”, afirmou. Ele disse já ter comunicado ao presidente Lula (PT) seu desejo de colaborar de outra forma com o governo: “Pretendo ajudar na campanha. Já me coloquei à disposição do presidente e do PT”.
Haddad também reafirmou que não tem planos eleitorais para 2026, apesar de especulações internas no partido. “Não está nos meus planos ser candidato em 2026”, disse, acrescentando estar disposto a dialogar sobre o assunto se houver insistência do PT, mas sem compromisso: “Tem muita coisa em jogo, não só do ponto de vista econômico. Quero entender a melhor forma pela qual posso ser aproveitado”.
O ministro destacou que, assim como em 2018, pretende contribuir na elaboração do programa de governo para uma possível nova gestão petista. Disse ter preferência pela indicação do atual secretário-executivo, Dario Durigan, para sucedê-lo na Fazenda, ressaltando sua capacidade técnica e seu trânsito político.
Além das questões políticas, Haddad fez um balanço econômico da gestão, afirmando ter reduzido o déficit primário em 70% desde 2023, e rebateu críticas sobre o aumento da dívida pública. “A dívida está aumentando pelo juro alto, não pelo déficit, porque o déficit está menor”, declarou. Defendeu também o trabalho de coordenação entre política fiscal e monetária que, segundo ele, contribuiu para trazer a inflação “para dentro da meta” e para um crescimento acima do previsto.
Sobre os planos para 2026, o ministro disse ainda acreditar que a eleição será marcada pela discussão da nova ordem global e destacou o papel do presidente Lula nesse cenário. “Ele é uma pessoa central para falar com Xi Jinping, com [Vladimir] Putin, com [Donald] Trump, com [Emmanuel] Macron, com quem quiser, e garantir o espaço do Brasil nessa nova ordem global tensa.”
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