Política
O pronunciamento de Silvio Almeida, denunciado por importunação sexual contra Anielle: ‘Acusações irresponsáveis’
A ministra ainda não se manifestou publicamente sobre o vídeo; na época da denúncia da PGR contra Almeida, disse que o caso era um estímulo para que mais mulheres denunciassem agressores
O ex-ministro de Direitos Humanos, Silvio Almeida, denunciado por importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, fez um primeiro pronunciamento público sobre o caso, sustentou sua inocência e disse que as acusações que recaem contra ele são ‘irresponsáveis’.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Almeida afirmou que o episódio foi utilizado para retirá-lo da vida política. Embora não cite Anielle nominalmente, o ex-ministro falou em ‘movimentações previsíveis’ de quem ‘não tem nenhuma realização para mostrar’.
“Durante o inquérito, na prática, eu não pude me defender. Agora, poderei. Mas fiquemos atentos porque há movimentações muito previsíveis. A quem não tenha nenhuma realização para mostrar, nenhuma proposta para oferecer e que por isso chega ao ponto de incriminar uma pessoa inocente apenas para eliminar aquele que considera um adversário ou para erguer sobre uma mentira uma bandeira eleitoral”, disse, em um um trecho do pronunciamento.
“A luta das mulheres contra a violência é uma das causas mais mais importante no nosso tempo. E foi exatamente por isso que sua distorção funcionou tão bem nesse caso. A forma violenta e injusta com que eu fui retirado da vida pública, também se apoiou em uma outra realidade que merece igual atenção. A situação dos homens negros numa sociedade que frequentemente nos associa à brutalidade e ao descontrole”, completou.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou uma denúncia contra Almeida ao Supremo Tribunal Federal. Na Corte, o caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, sob sigilo. A denúncia teve como base o relato da própria ministra, que vai deixar o cargo para disputar uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também foi ouvido no caso.
“Acusações irresponsáveis tem lugar e hora certa para ser respondidas a justiça. E é lá que a verdade será buscada”, sustentou o ex-ministro no vídeo recém-publicada.
Silvio Almeida foi exonerado pelo governo após a divulgação das denúncias feitas para a ONG Me Too, em setembro de 2024. Anielle Franco prestou depoimento em outubro daquele ano.
A ministra ainda não se manifestou publicamente sobre o vídeo, mas já havia emitido sua posição diante da denúncia oferecida pela PGR contra Almeida. “É mais uma etapa do reconhecimento da verdade”, escreveu, nas redes sociais. “É também um estímulo para que as mulheres que vivem ou viveram episódios de violência não sofram em silêncio, que denunciem os agressores”, completou, ao afirmar que segue confiando na Justiça.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Saiba quais ministros deixam os cargos para disputar as eleições
Por Agência Brasil
Lula critica privatização da BR Distribuidora e diz que ‘atravessadores’ impedem queda no preço do diesel
Por Gabriel Andrade
Sem acordo com o Centrão, Lula mantém Alckmin e repete coligação de 2022
Por Leonardo Miazzo



