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“O pobre tem fome, o pobre não tem hábito alimentar”, diz Doria

Política

Ao apresentar nesta quarta-feira 18 a “farinata”, o “granulado nutricional” que pretende usar no combate à fome em São Paulo, o prefeito da cidade, João Doria Júnior (PSDB), voltou a afirmar que as pessoas pobres “não têm hábitos alimentares”. “O pobre tem fome, o pobre não tem hábito alimentar e a Prefeitura de São Paulo vai trabalhar para combater a fome do município em todas as frentes”, disse Doria durante entrevista coletiva.

O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, que apoia a iniciativa de Doria, disse ter a mesma opinião do prefeito. “Pobre não tem hábito alimentar. Pobre tem fome”, afirmou.

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O tucano fez a afirmação ao ser questionado sobre um comentário feito em 2011 no programa O Aprendiz, da TV Record, que apresentou por duas temporadas.  

Em um dos episódios do reality show, os participantes deveriam bolar uma estratégia para preparar e entregar alimentos a moradores de rua em São Paulo. O grupo de empreendedores derrotado foi duramente criticado por Doria e seus colegas apresentadores pelo tempo gasto no planejamento da atividade. Em um vídeo da atividade mostrado no programa, o líder do grupo listava informações que eram necessárias a respeito dos moradores de rua, como sexo, idade e hábitos alimentares. O termo indignou Doria.

“Deixa eu só perguntar uma coisa: hábitos alimentares? Você acha que gente humilde, gente pobre, gente miserável, que lamentavelmente está nas ruas de São Paulo, vai ter hábito alimentar?”, questionou Doria. “Você acha que alguém pobre, humilde, miserável, infelizmente, pode ter hábito alimentar? Se ele se alimentar, tem que dizer ‘graças a Deus'”, afirmou.

“O sujeito é pobre, tá na rua e vocês vão fazer análise de sexo, idade, formação profissional, currículo, se fala inglês, hábito alimentar? Que perda de tempo. Vocês estão fora da realidade”, disse Doria em 2011.

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Na quarta-feira 18, o prefeito paulistano foi questionado sobre as frases de 2011 e reafirmou que “o pobre tem fome, o pobre não tem hábito alimentar”. 

O vídeo foi trazido à tona pela vereadora Sâmia Bomfim (PSOL), que se opõe à distribuição do granulado, que classifica de “ração humana”. A vereadora Sâmia também está recolhendo assinaturas para instalar uma CPI a respeito do produto.

Em nota enviada a CartaCapital, a gestão Doria afirmou que Samia Bonfim “insiste em politizar questões que deveriam ser apartidárias, como a erradicação da fome”. 

Leia a íntegra da nota:

A vereadora Samia Bonfim insiste em politizar questões que deveriam ser apartidárias, como a erradicação da fome e o combate ao desperdício de alimentos, e tenta manipular a opinião pública ao publicar um vídeo editado e fora do contexto do programa “O Aprendiz”, exibido em 2011. Na atração televisiva, os participantes deveriam preparar e distribuir alimentos a pessoas em situação de rua. Ao questionar a condução da prova por uma das equipes, João Doria ressaltou, na ocasião, a urgência no fornecimento de alimentos a essa população, sem desmerecer as necessidades dessas pessoas, ao contrário do que a vereadora faz parecer. Importante destacar que, no mesmo episódio (cuja íntegra pode ser acessada na internet), João Doria diz que “o ideal é que ele [morador em situação de rua] pudesse ter trabalho, alimentação, casa, condições dignas de vida”. Tais medidas estão sendo colocadas em prática pela atual administração, com iniciativas como o programa Trabalho Novo, que já gerou mais de 1.400 vagas a essa população. 

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