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O Nordeste é Lula

A região vai ampliar o apoio à reeleição, diz o senador Camilo Santana

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Apoio. O ex-ministro garante: Elmano de Freitas é o candidato no Ceará e a campanha vai mostrar os avanços – Imagem: Carlos Gibaja/GOVCE e Ricardo Stuckert/PR
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Como tantos outros ministros e secretários, Camilo Santana deixou a pasta de Educação para se dedicar às eleições de outubro. Um dos integrantes da coordenação de campanha do presidente Lula, que busca o quarto mandato, Santana nega a possibilidade de substituir o aliado e atual governador do Ceará, Elmano de Freitas, na disputa estadual. Freitas, nos últimos levantamentos, aparece atrás de Ciro Gomes, que se tornou um adversário ferrenho do PT. “Pesquisa é um retrato do momento”, minimiza. Na entrevista a seguir, o senador analisa os índices de popularidade do governo federal, do papel do Nordeste no processo eleitoral, do STF e do escândalo do Banco Master.

Carta Capital: Existe a possibilidade de o senhor substituir o governador Elmano de Freitas na disputa pelo governo do Ceará?
Camilo Santana: Estamos construindo as alianças, definindo os nomes, mas o nosso candidato é Elmano. Pesquisa é um retrato do momento, mas quando você olha a espontânea, 75% da população do Ceará ainda não sabe em quem vai votar. Na espontânea, Elmano está empatado com o adversário. A gente vai trabalhar muito para mostrar a diferença dos dois projetos, que são antagônicos. Um representa o olhar para a população, com entregas, o outro representa o bolsonarismo, que negou a vacina. É esse o debate.

CC: Qual é a estratégia do PT para reverter o favoritismo de Ciro Gomes?
CS: Temos um governo bem avaliado, acima de 60%, com muitas entregas. O Ceará foi o estado que mais diminuiu homicídios no Brasil, um grande desafio para a área da segurança pública. Foram mais de 3,5 mil profissionais contratados para essa área, há investimento em inteligência, monitoramento. Interiorizamos a saúde, inauguramos o maior hospital do Nordeste, com 853 leitos, 100% funcionando. Na educação, nem se fala, batemos o recorde de quase 27 mil alunos de escola pública que passaram para as universidades, somos o primeiro lugar em alfabetização de crianças e no ensino fundamental e terceiro no ensino médio. Pela primeira vez na história deixamos de ser um estado que tinha mais Bolsa Família do que carteira assinada e agora temos mais gente com carteira assinada. Um grande data center, com investimento de 200 bilhões de reais, está em curso, levamos de volta a indústria automobilística para o estado, fechada no governo Bolsonaro. Vamos mostrar que o estado tem avançado e que o adversário é o lado de um candidato que se juntou com o que há de mais retrógrado do Ceará. A gente vai falar da incoerência, porque a política não é feita em cima de ódio, do vale-tudo, do poder pelo poder. O candidato se juntou com aqueles que ele sempre combatia, chamava de corruptos, fascistas, milicianos, e agora está batendo continência para eles. A troco de quê?

“A grande maioria ainda não está preocupada” com a disputa em outubro

CC: O que representa para o Brasil uma eventual volta da extrema-direita ao poder?
CS: Não tenho dúvida da reeleição do presidente Lula. A grande maioria da população ainda não está preocupada com a eleição, e sim com o dia a dia da vida, o problema do endividamento, e aí vem o presidente Lula e lança o Desenrola, em que você tem de 30% a 90% de desconto nas dívidas. O presidente Lula olha para a vida dessas pessoas, olha para a saúde, garantindo mais médicos no posto de saúde, reduzindo as filas de cirurgias por meio do Mais Especialistas. Agora mesmo, lançou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, uma das maiores preocupações do povo brasileiro. Um investimento de 11 bilhões de reais para reforçar do sistema prisional ao fluxo de dinheiro das facções criminosas, o combate ao tráfico de armas, a redução e o controle de homicídios. Na educação, peguei o Ministério praticamente desmontado. Qual a política pública educacional no governo Bolsonaro? Nenhuma. Ao contrário, quiseram desmontar as universidades. Fazia seis anos que não tinha um reajuste da merenda escolar nas escolas públicas. O presidente Lula deu 55% de aumento nesses três anos e quatro meses. Saímos de 3,6 bilhões para 6,7 bilhões de reais só no programa de alimentação escolar do Brasil. Criamos o programa de escola em tempo integral, saímos de 15% de matrículas para 25,8%. Estamos construindo 114 novos institutos federais, novas universidades, reduzimos pela metade a evasão escolar no ensino médio, criamos um programa para reconhecer e valorizar o professor e outro de alfabetização de crianças na idade certa. O Ministério da Cultura tinha acabado no governo passado e, agora, nunca na história se investiu tanto em cultura neste País. Se você olhar para os dados da economia, temos o ganho de massa salarial, a inflação controlada, o Brasil crescendo acima da expectativa, tem o reajuste real do salário mínimo, menor desemprego da série histórica, saímos do mapa da fome. É a reconstrução do Brasil e é isso que vamos apresentar.

CC: A popularidade do presidente Lula está em queda até no Nordeste. Por quê?
CS: O Nordeste vai manter ou ampliar a preferência pelo presidente Lula, não tenho dúvida. É claro, depende muito dos aliados se posicionarem, defenderem o governo. Quando um governador ou um prefeito não fala das entregas, muitas vezes a população não tem conhecimento. Temos de corrigir isso. É preciso um esforço enorme das nossas lideranças, dos nossos candidatos, para mostrar ao povo nordestino e ao povo brasileiro as entregas e comparar. O que o governo passado fez para o Nordeste a não ser criticar?

Segurança. O Ceará é o estado com a maior redução de homicídios, cita Santana – Imagem: PMCE

CC: Qual é a estratégia do PT para ampliar a bancada no Congresso?
CS: A nossa prioridade é a reeleição do presidente Lula e, a segunda, é a reeleição dos nossos governadores. Mas vamos construir candidaturas que representem esse projeto de centro-esquerda. O PT pode apoiar nomes de outros partidos, como no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, mas também tem a candidatura de Fernando Haddad em São Paulo. Queremos construir alianças importantes na eleição para o Senado, não só do PT, mas com nomes do campo progressista que possam apoiar o governo do presidente Lula e defender a democracia.

CC: Qual a sua opinião sobre a Lei da Dosimetria, promulgada pelo Congresso, e sobre a PEC da Anistia?
CS: Eu acho que a anistia não será colocada em votação, nem acho que passaria. Sobre a dosimetria, votei contra por respeito aos poderes. O Judiciário é o poder que julga e define as penas. Posso até questionar se é merecida aquela pena, mas o Poder Judiciário tem autonomia constitucional. Votei contra por respeito ao Judiciário brasileiro. Não podemos aceitar qualquer atentado à democracia.

“Sou a favor de um código de ética não só para o STF”

CC: E sobre a crise no STF, o senhor é favorável a mandato para ministros do Supremo?
CS: O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição e precisa dar o exemplo. Sou a favor de um código de ética não só para o STF, mas para todos os poderes e ramificações do Judiciário. Por que os mandatos de senadores ou presidente não são vitalícios e no Judiciário tem de ser? É claro que isso precisa ser discutido com muita transparência, mas acho um bom debate. Da mesma forma que o Poder Legislativo é sempre avaliado, é preciso avaliar os outros poderes e cumprir as nossas missões. Não é uma crítica pessoal a ninguém, mas ao sistema que funciona hoje.

CC: A maior parte dos envolvidos no escândalo do Banco Master é do Centrão ou ligada ao bolsonarismo, mas a percepção geral é de que se trata de um esquema suprapartidário. Como explicar?
CS: A orientação que o presidente Lula tem dado em qualquer escândalo, qualquer crime, é investigação com o rigor da lei e punição a quem quer que seja. Quando isso acontece durante um governo, às vezes os eleitores fazem essa associação, mas quem tem procurado fazer essa relação é a direita, mentindo, com fake news. O problema do Banco Master aconteceu no governo Bolsonaro. Isso é uma guerra de narrativas que só vai poder ser esclarecida a partir do momento que as investigações andarem e os envolvidos forem indiciados ou investigados. Não há nenhum envolvimento deste governo com o Banco Master. •

Publicado na edição n° 1413 de CartaCapital, em 20 de maio de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘O Nordeste é Lula’

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