Política

O estado que lulistas não querem disputar em 2026

Indisposição e calendário apertado pressionam o governo, que ainda não tem um adversário forte para Tarcísio de Freitas

O estado que lulistas não querem disputar em 2026
O estado que lulistas não querem disputar em 2026
Ministra Simone Tebet (Planejamento) e ministro Fernando Haddad (Fazenda). Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Eleições 2026

A oito meses do encontro com as urnas, São Paulo se consolida como o principal impasse eleitoral estadual do governo Lula (PT). Uma candidatura competitiva ao governo estadual é vista como essencial para dar lastro à campanha presidencial, organizar a base local e puxar as chapas proporcionais.

Falta, porém, um representante lulista disposto a encarar a disputa.

Enquanto isso, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera com folga todos os cenários em que aparece e vence com ampla vantagem no segundo turno os potenciais adversários ligados ao governo federal.

O fato mais incômodo para o Palácio do Planalto, no entanto, não está no favoritismo do governador, mas na dificuldade de apresentar um nome competitivo para enfrentá-lo. Para ministros e ocupantes de cargos executivos concorrerem em 2026, a janela de desincompatibilização e de filiação partidária termina no dia 4 de abril.

Jogo de empurra

Tratado internamente como plano A e pressionado publicamente por líderes da sigla, Fernando Haddad tem reiterado que não deseja ser candidato. O ministro evita movimentos de pré-campanha e diz preferir trabalhar na coordenação da reeleição de Lula.

Aliados apontam uma combinação de fatores: desgaste acumulado após anos de disputas, percepção de que a missão em São Paulo é de alto risco e, sobretudo, o argumento de que sua permanência na Fazenda pesa mais para o projeto de reeleição de Lula do que uma candidatura majoritária com chances incertas.

No PSB, a situação não é diferente. Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, também não demonstra apetite para a disputa estadual. A avaliação predominante é que ele deve permanecer como vice na chapa presidencial, preservando-se de uma eleição considerada difícil e de alto risco.

A ministra Simone Tebet, outra frequentemente citada, aparece com desempenho modesto nas pesquisas. Apesar de dialogar com setores de centro e da classe média, sua eventual candidatura exigiria troca de partido e mudança de domicílio eleitoral.

Entre a hesitação, os números e os empecilhos burocráticos, quem demonstra disposição real para concorrer é Márcio França. Intensificou agendas no interior e se apresenta como opção para enfrentar Tarcísio. Ainda assim, não é tratado como escolha prioritária pelo núcleo do governo. A percepção dominante é que, se puder decidir, Lula buscará um nome mais diretamente vinculado ao seu projeto nacional.

Sem vácuo

A indefinição do campo governista também abre espaço para que outras figuras da direita ocupem o protagonismo, especialmente nos cenários em que Tarcísio não aparece. A mais recente pesquisa da RealTime Big Data, divulgada no início de dezembro, mostra figuras como Ricardo Nunes (MDB), prefeito da capital paulista, e o deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP), bem colocados, evidenciando um tendência de continuidade da direita no poder.

Desde a redemocratização, o PT nunca elegeu um governador no estado. Candidatos petistas chegaram ao segundo turno em diferentes momentos, mas foram derrotados sistematicamente, como ocorreu com Haddad em 2018, contra João Doria, e em 2022, contra Tarcísio de Freitas. As estatísticas de diferentes eleições gerais mostram que o partido concentra suas vitórias majoritárias sobretudo no Norte e no Nordeste, enquanto enfrenta rejeição persistente no eleitorado paulista, especialmente no interior do estado.

Esse histórico ajuda a explicar por que disputar o governo paulista é visto, dentro do próprio campo governista, como uma missão ingrata e potencialmente desgastante. 

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