Mundo
O diálogo entre Lula e Putin após o ataque dos EUA à Venezuela
O petista tem conversado com diversos líderes internacionais sobre as consequências da agressão norte-americana
O presidente Lula (PT) e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversaram nesta quarta-feira 14, por telefone, sobre a situação na Venezuela após a invasão dos Estados Unidos, que resultou na captura de Nicolás Maduro.
Os líderes “enfatizaram as abordagens fundamentais compartilhadas pela Rússia e pelo Brasil em relação à garantia da soberania estatal e dos interesses nacionais da República Bolivariana”, afirmou o Kremlin, em nota. O Palácio do Planalto confirmou o telefonema.
De acordo com o comunicado de Moscou, os dois líderes concordaram em buscar meios para reduzir a tensão na América Latina e em outras regiões. Entre os esforços estariam ações junto à Organização das Nações Unidas e ao BRICS.
O texto também diz que Lula e Putin discutiram em detalhes questões relacionadas ao desenvolvimento da cooperação bilateral em diversas áreas, no contexto das negociações para a próxima reunião da Comissão de Alto Nível Rússia-Brasil, prevista para fevereiro.
Após a invasão de Caracas pelos EUA, Lula conversou sobre o tema com líderes internacionais, a exemplo da presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez; da presidenta do México, Claudia Sheinbaum; do presidente da Colômbia, Gustavo Petro; e do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Logo depois da agressão norte-americana, o petista afirmou que a ofensiva do governo de Donald Trump ultrapassou a linha do aceitável.
“Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, publicou Lula nas redes sociais.
Já o governo russo definiu a invasão como um “ato de agressão armada” contra a Venezuela. Nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, reiterou o repúdio à ação norte-americana. “Nossa posição permanece inalterada. Essa posição é fundamental, baseada nos princípios do respeito à soberania e à integridade territorial de todos os Estados, cujos governos naturalmente representam os interesses de toda a população.”
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