Política

O atrito público entre Tarcísio e Kassab sobre o apoio a Bolsonaro

Nesta sexta, o governador rejeitou o rótulo de ‘submisso’ ao ex-capitão, dado na véspera pelo seu próprio secretário de Governo

O atrito público entre Tarcísio e Kassab sobre o apoio a Bolsonaro
O atrito público entre Tarcísio e Kassab sobre o apoio a Bolsonaro
Gilberto Kassab e Tarcísio de Freitas. Foto: Mônica Andrade/Governo do Estado de SP
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rebateu, nesta sexta-feira 30, as declarações do presidente do PSD, Gilberto Kassab, de que ele deveria demonstrar gratidão a Jair Bolsonaro (PL), mas sem parecer “submisso”.

Ao ser questionado sobre a afirmação, o chefe do Palácio dos Bandeirantes disse que a decisão de concorrer à reeleição, e não à Presidência, como defendiam caciques do Centrão, é um “desejo próprio”. Tarcísio também afirmou ter seu estilo de governar de forma técnica e mais moderada, diferente do seu padrinho político, de quem foi ministro.

“Sou uma pessoa de valores, então sempre vou ser grato a quem me estendeu a mão e me abriu as portas”, rebateu o governador após participar de um evento na capital paulista. As declarações foram registradas pelo jornal O Globo. “É fácil você estar do lado quando a pessoa está bem. Difícil, e não vemos muito isso na política, é estender a mão quando a pessoa está na pior, precisa da sua ajuda. Nesse momento que os amigos aparecem para dizer ‘estou contigo’. Isso não tem absolutamente nada a ver com submissão”, rebateu.

Kassab, que é secretário estadual de Governo e Relações Institucionais, comentou a relação do próprio chefe com o ex-presidente na quinta-feira 29, em entrevista ao UOL. Na avaliação do dirigente, desde o início da gestão, Tarcísio tem adotado uma postura de respeito a Bolsonaro, a quem classificou como “um grande líder”, mas precisa avançar na construção de uma identidade própria. “Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade; outra coisa é submissão”.

A manifestação ocorreu em meio à frustação de líderes da centro-direita que viam no chefe do Executivo paulista um potencial de competir com Lula nas eleições deste ano. O próprio Kassab já havia manifestado publicamente apoio e entusiasmo com a eventual candidatura do aliado, mas Tarcísio recuou da ideia após Bolsonaro indicar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu sucessor na corrida ao Palácio do Planalto.

Para o entorno do governador, as declarações do pessedista demonstram uma irritação com os rumos eleitorais do ex-ministro da Infraestrutura. Não à toa, diante da desistência de Tarcísio em concorrer à reeleição, Kassab passou a trabalhar com os nomes de três governadores como possíveis candidatos à Presidência: Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr. (PR).

Ainda na conversa com jornalistas, o chefe do Palácio do Bandeirantes disse não ter ficado incomodado com as falas de Kassab. “Aí ele fala como dirigente nacional dentro daquilo que ele acredita. Obviamente, dentro da atuação de governo, vou exigir que ele esteja sempre aderente àquilo que é a diretriz de governo”, minimizou. “Ele tem suas opiniões próprias e acho que não tem nenhum problema”, insistiu.

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