Política
Nunes Marques vai analisar ação de Flávio Bolsonaro contra divulgação de pesquisa
O senador tenta tirar do ar notícias sobre um levantamento AtlasIntel que mostrou uma queda nas intenções de voto
A ação do PL e do senador Flávio Bolsonaro (PL) contra o instituto AtlasIntel foi redistribuída nesta terça-feira 19 e será analisada pelo ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Antes, a ação estava sob a relatoria da ministra Estela Aranha, mas o PL afirmou que o tema era urgente e precisava ser analisado pela presidência do órgão eleitoral.
O senador tenta tirar do ar notícias sobre uma pesquisa mostra sua queda nas intenções de voto após a divulgação dos áudios que revelaram sua proximidade com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A defesa levanta dúvidas sobre a metodologia do levantamento e sustenta que as perguntas teriam sido feitas “de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”.
Em entrevista a CartaCapital, Yuri Sanches, chefe de Risco Político e Análise Política do instituto, afirmou que as alegações são falsas. Sanches explicou que os entrevistados só tiveram contato com a gravação na fase final do levantamento, após a conclusão do questionário — ou seja, depois de responder a perguntas sobre a avaliação do governo, a intenção de voto e a rejeição dos pré-candidatos, por exemplo.
Registrado no TSE sob o código BR-06939/2026, o levantamento foi o primeiro divulgado após a série de reportagens do Intercept Brasil que expôs, em detalhes, as relações do clã Bolsonaro com Vorcaro. Segundo a AtlasIntel, mais de 90% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento do caso.
Na rodada mais recente, a AtlasIntel incluiu perguntas sobre a divulgação dos áudios e mediu a reação dos entrevistados ao conteúdo. O instituto realiza suas pesquisas pela internet e, nesta rodada, reproduziu ao final da pesquisa o referido áudio enviado por Flávio a Vorcaro.
Os áudios atribuídos a Flávio mostram o senador cobrando recursos de Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Após negar inicialmente qualquer relação com o banqueiro, Flávio admitiu ter buscado patrocínio privado para a produção, mas negou irregularidades ou contrapartidas políticas.
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