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Investigação

Nova fase da Lava Jato mira operadores do mercado financeiro

por Redação* — publicado 28/03/2017 12h44, última modificação 28/03/2017 12h54
Suspeito de assumir acordos de propina na Petrobras, Roberto Gonçalves, ex-gerente da estatal, foi detido em Boa Vista
Antonio Cruz / Agência Brasil
Pedro Barusco

Segundo a PF, Gonçalves teria herdado os acordos de pagamentos a Pedro Barusco (foto)

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira 28, a 39ª fase da Operação Lava Jato, denominada Operação Paralelo, no intuito de cumprir seis ordens judiciais expedidas pelo juiz Sérgio Moro para apurar a atuação de operadores no mercado financeiro em benefício de investigados.

Estão sendo cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva no Rio de Janeiro. Procurado na capital fluminense, o ex-gerente da Petrobras, Roberto Gonçalves, foi detido pouco antes das 10h em Boa Vista (RR). Segundo a PF, Gonçalves visitava familiares na capital de Roraima e não há indícios de que ele tentava escapar de um pedido de prisão.

Gonçalves trabalhava na diretoria de Serviços da Petrobras e é apontado como beneficiário de propinas em contas no exterior, pagas por construtoras que tinham contratos com a estatal. O executivo sucedeu Pedro Barusco no cargo, que ocupou de março de 2011 a maio de 2012.

Em entrevista coletiva, os investigadores da PF afirmam que havia um "direito adquirido à propina" na estatal: Gonçalves teria assumido os acordos de pagamento de propina a Barusco.

A PF apura ainda a atuação de operadores no mercado financeiro. “A atuação teria se dado no âmbito de uma corretora de valores que é suspeita de ter realizado a movimentação de recursos de origem ilícita para viabilizar pagamentos indevidos de funcionários e executivos da Petrobras”, informou a PF, por meio de nota.

De acordo com a PF, o nome da operação, Paralelo, é uma  alusão a atuação clandestina, à margem ou paralela aos órgãos de controles oficiais do mercado financeiro por parte dos investigados.

Fase anterior

Em fevereiro passado, a PF deflagrou a 38ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Blackout em referência ao sobrenome dos lobistas Jorge e Bruno Luz, pai e filho, respectivamente. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva no Rio de Janeiro. 

Os investigados foram apontados como facilitadores na movimentação de recursos indevidos pagos a integrantes da diretoria da Petrobras. Eles responderão pela prática de crimes de corrupção, fraude em licitações, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, entre outros.

O pedido de prisão dos lobistas foi feito pela força-tarefa da Lava Jato ao juiz Sérgio Moro porque pai e filho possuem dupla nacionalidade e teriam deixado o Brasil recentemente. 

Em abril do ano passado, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, contou em depoimento ao juiz Sérgio Moro o recebimento de propina de US$ 6 milhões pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL) por meio do lobista Jorge Luz, apontado como um dos operadores de propina no esquema da Petrobras. 

Em 2015, o lobista Fernando Baiano também afirmou que o cacique do PMDB receberia "repasses" por meio de Luz.

De acordo com o Ministério Público Federal, a dupla também é suspeita de utilizar contas no exterior para fazer repasse de propinas a agentes públicos.

*Com informações da Agência Brasil