Economia

No palco da indústria, Flávio Bolsonaro e Zema vendem um Brasil de privatizações

Os pré-candidatos discursaram para empresários em Brasília e defenderam corte de gastos e endurecimento da segurança pública

No palco da indústria, Flávio Bolsonaro e Zema vendem um Brasil de privatizações
No palco da indústria, Flávio Bolsonaro e Zema vendem um Brasil de privatizações
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Gabriel Pinheiro/CNI
Apoie Siga-nos no
Eleições 2026

Os pré-candidatos mais à direita que participaram do primeiro grande encontro da indústria com presidenciáveis nas eleições de 2026 encontraram um ambiente favorável nesta segunda-feira 22. Diante de empresários e presidentes das federações estaduais da indústria, reunidos pela Confederação Nacional da Indústria no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) defenderam redução do Estado, privatizações, flexibilização das relações de trabalho e endurecimento da segurança pública. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), inicialmente confirmado, chegou atrasado e fez sua apresentação apenas depois dos dois adversários, diante de uma plateia já esvaziada.

Mais que um debate entre presidenciáveis, o encontro foi montado para apresentar aos candidatos as prioridades da indústria no próximo ciclo. Antes das exposições, vídeos produzidos com inteligência artificial mostravam os personagens “Baiacusto”, “Tributácio”, “Infradonha” e “Burocratus”, criados para simbolizar o custo de produzir no Brasil, a carga tributária, as obras paradas e a burocracia estatal. Outro vídeo, em ritmo de funk, exaltava a indústria como geradora de empregos e riqueza. Ao longo da tarde, empresários fizeram perguntas sobre infraestrutura, bioeconomia, investimentos privados, segurança jurídica e marcos regulatórios, enquanto a entidade entregava aos candidatos o documento Construindo o Brasil 2050.

Principal nome do encontro, Flávio Bolsonaro concentrou seu discurso em críticas ao presidente Lula (PT) e ao Supremo Tribunal Federal. Chamou o atual governo de “era das trevas”, alegou que “tudo vai mudar a partir de janeiro de 2027” e atribuiu os juros elevados ao crescimento dos gastos públicos. Também prometeu reduzir a burocracia para empresas, flexibilizar o licenciamento ambiental, ampliar privatizações e classificar facções criminosas como organizações terroristas.

Ao comentar a política externa, o senador afirmou que esteve nos Estados Unidos para pedir ao presidente Donald Trump que produtos brasileiros não fossem alvo de tarifas. A declaração contrasta com a atuação de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e do influenciador Paulo Figueiredo.

Flávio ainda criticou decisões do STF, voltou a defender penas mais duras para criminosos e participou do evento acompanhado da economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro (PL), cotada para ser sua “ministra da Economia”.

O pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo). Foto: Gabriel Pinheiro/CNI

Já Romeu Zema abriu sua participação comentando a investigação sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O mineiro disse que ambos viviam em Belo Horizonte, mas negou qualquer proximidade. “Assombração aparece para quem tem que aparecer. E para mim não apareceu”, declarou. A afirmação contrasta com a situação de Flávio Bolsonaro, que admitiu ter pedido recursos a Vorcaro para financiar um filme sobre Jair — em mensagens reveladas durante as investigações, chamou o banqueiro de “irmão” e escreveu que estaria com ele “para sempre”. Em seguida, Zema voltou a citar o Banco Master ao defender a privatização de empresas públicas, sob o argumento de que a relação entre estatais, fundos de pensão e instituições financeiras reforça a necessidade de reduzir a participação do Estado na economia.

O ex-governador também defendeu reforma administrativa, revisão da Previdência e dos programas sociais, e a criação de um modelo alternativo à CLT, baseado na remuneração por hora. Recebeu aplausos ao afirmar que o País estaria formando uma “geração de imprestáveis” ao supostamente manter benefícios para pessoas que recusam empregos formais.

Entre o bobó de camarão, o filé mignon Angus ao molho de vinho do Porto, o salmão com legumes assados e os “queijos do mundo” servidos aos convidados, os dois pré-candidatos falaram para um público que pouco os desafiou. As preocupações dos empresários estavam concentradas na redução do “Custo Brasil”, na segurança jurídica e na ampliação dos investimentos privados – exatamente a agenda que Flávio Bolsonaro e Romeu Zema levaram ao palco.

Lula foi chamado para o evento, mas recusou o convite por causa de agenda no Rio de Janeiro.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo