Política

No cartão corporativo, Presidência gastou mais de R$ 476 mil com passeio de moto de Bolsonaro em SP

A Secretaria-Geral da Presidência, no entanto, negou-se a divulgar os nomes das pessoas que se beneficiaram do recursos em 12 de junho

Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP
Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP

A motociata de Jair Bolsonaro na cidade de São Paulo, em 12 de junho deste ano, custou mais de 476 mil reais à Presidência da República. O valor compreende os gastos com toda a comitiva que acompanhou o chefe do Executivo Nacional.

Esses dados foram obtidos pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), via Lei de Acesso à Informação. As respostas têm origem na Secretaria-Geral da Presidência, que, no entanto, negou-se a divulgar os nomes das pessoas que se beneficiaram do ‘passeio’. A pasta alega que as informações são sigilosas.

Os pagamentos foram realizados por meio do cartão corporativo e, segundo a Secretaria-Geral, envolvem despesas com “transporte terrestre, passagens, telefonia e diárias”. O custo exato, segundo os registros oficiais, foi de 476.393,36 reais.

A diversão de Bolsonaro e companhia, entretanto, não envolveu dinheiro público apenas por parte da Presidência. Ainda em 12 de junho, a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo informou que o policiamento extra para a motociata custou 1,2 milhão de reais.

De acordo com a SSP, o ato contou com monitoramento por câmeras fixas, móveis e em fardas de policiais. O reforço no policiamento foi feito, segundo comunicado da secretaria, “para garantir a segurança da população, a fluidez no trânsito e o direito à livre manifestação”.

O trajeto da motociata foi de 129 quilômetros e incluiu ruas e rodovias de São Paulo e da região de Jundiaí, no interior paulista. Foram destacados para acompanhar o passeio mais de 6.300 policiais das três forças de segurança estaduais, cinco aeronaves, dez drones e 600 viaturas.

Naquele dia, o governo de São Paulo, sob o comando de João Doria (PSDB), multou Bolsonaro e um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, pela recusa em utilizar máscaras. Também foram multados na ocasião Ricardo Salles, então ministro do Meio Ambiente, Marcos Pontes, ministro de Ciência e Tecnologia, os deputados federais Carla Zambelli, Cezinha de Madureira, Coronel Tadeu e Hélio Lopes, e o deputado estadual Gil Diniz.

Cada um deles foi multado em 552,71 reais por desrespeito a um decreto do governo estadual que obriga o uso da máscara durante a pandemia.

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