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Internautas racistas faziam parte de rede criminosa?

Política

Podemos imaginar as barbaridades que disseram na sexta 23 aos agentes da Superintendência da Polícia Federal (PF) os dois homens detidos por publicar mensagens racistas, homofóbicas e a incitar violência em um site.

Sem direito à fiança, os suspeitos alimentavam o site silviokoerich.org, hospedado na Malásia e ironicamente ainda no ar. Faziam ameaças de morte ao deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ), ofensas à presidenta Dilma Rousseff, a negros, homossexuais e judeus. Teciam apologias à violência contra as mulheres, e, ao mesmo tempo, incitavam o abuso sexual de menores. A dupla planejava “atirar a esmo” nos alunos da Universidade de Brasília (UnB).

“As investigações continuam para verificar se há outros envolvidos nesta rede criminosa”, disse o agente federal Marcos Korem, que acompanhou o depoimento em Curitiba.

Tudo leva a crer que Emerson Eduardo Rodrigues, de 32 anos, e Marcelo Mello, de 29 anos, residentes respectivamente em Curitiba e Brasília, têm seguidores. A dupla, segundo policiais, teria aconselhado Wellington Oliveira, o assassino de 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio, em 2011.

A PF não informou se Oliveira esteve em Curitiba, ou se os dois internautas presos na quinta se comunicaram por outros meios com o assassino do Rio. Certo é que Mello viajou de Brasília para Curitiba, onde foi detido, para receber “instruções”. Outro detalhe importante a sustentar a tese da existência de uma rede terrorista é o fato de que os dois dispunham de 500 mil reais em uma conta bancária.

Rodrigues parece ser o mentor de Mello, este alvo de investigação pelo Conselho Disciplinar Permanente da UnB, onde cursava Letras, devido ao seu envolvimento em conflitos raciais. O processo ainda está em andamento e tramita de forma sigilosa. Por não ter frequentado mais a universidade durante dois semestres consecutivos, Mello perdeu sua vaga em 2006.

Por sua vez, Rodrigues teria, segundo a PF, participado de assassinatos na capital paranaense. A motivação de todos os supostos homicídios, até agora sem autoria, seria a intolerância. Se for comprovada a cumplicidade de Rodrigues nos crimes, ganhará ímpeto a veracidade do plano da dupla de matar alunos a cursar faculdades de Direito, Comunicação e Ciências Sociais da UnB. Os ataques se dariam em uma casa de eventos.

Os alunos de Ciências Sociais pareciam ser o foco principal de Mello e Rodrigues. O motivo? Aqueles “esquerdistas” tinham ideais liberais sobre sexualidade e direitos de minorias. Enquanto isso, Rodrigues e Mello postavam fotografias de cenas pornográficas a envolver crianças e adolescentes. Como se dá com psicopatas, as ideias dos dois extremistas são permeadas de contradições.

De qualquer forma, como explicar essas tentativas de perpetrar ataques contra as vidas de estudantes e um deputado federal no Brasil? Em grande parte, esse fenômeno decorre da radicalização de uma narrativa ultraconservadora na “fascistofera” e na mídia canarinho.

Neste mundo globalizante onde a tecnologia (leia internet) aproxima cada vez mais os povos, o ultraconservadorismo a reinar nos tabloides e redes de tevê nos Estados Unidos e na Europa logo contagia outros países. E, por tabela, esse discurso tem um enorme impacto nos extremistas capazes de cometer atos de loucura. Esse fenômeno ocorre na Europa, onde a islamofobia e a judeofobia são uma grande preocupação.

Mas, ao contrário do Brasil, onde a vasta maioria da mídia é neoconservadora, na Europa e EUA há periódicos liberais que não aderem a essa narrativa, entre eles o Le Monde, La Repubblica, The Nation, etc. E mesmo diários conservadores como o Corriere della Sera ou Le Figaro fazem o mesmo.

Os dois presos vão responder por crimes de incitação e indução à discriminação ou preconceito de raça, por meio de recursos de comunicação social; de incitação à prática de crime e de publicação de fotografia com cena pornográfica envolvendo criança ou adolescente.

Resta saber se tentativas de atentados como os da dupla Rodrigues e Mello engatilharão ataques terroristas como aqueles de Mohamed Merah, autor de sete assassinatos e morto por policiais em Toulouse.

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Sem direito à fiança, os suspeitos alimentavam o site silviokoerich.org, hospedado na Malásia e ironicamente ainda no ar. Faziam ameaças de morte ao deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ), ofensas à presidenta Dilma Rousseff, a negros, homossexuais e judeus. Teciam apologias à violência contra as mulheres, e, ao mesmo tempo, incitavam o abuso sexual de menores. A dupla planejava “atirar a esmo” nos alunos da Universidade de Brasília (UnB).

“As investigações continuam para verificar se há outros envolvidos nesta rede criminosa”, disse o agente federal Marcos Korem, que acompanhou o depoimento em Curitiba.

Tudo leva a crer que Emerson Eduardo Rodrigues, de 32 anos, e Marcelo Mello, de 29 anos, residentes respectivamente em Curitiba e Brasília, têm seguidores. A dupla, segundo policiais, teria aconselhado Wellington Oliveira, o assassino de 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio, em 2011.

A PF não informou se Oliveira esteve em Curitiba, ou se os dois internautas presos na quinta se comunicaram por outros meios com o assassino do Rio. Certo é que Mello viajou de Brasília para Curitiba, onde foi detido, para receber “instruções”. Outro detalhe importante a sustentar a tese da existência de uma rede terrorista é o fato de que os dois dispunham de 500 mil reais em uma conta bancária.

Rodrigues parece ser o mentor de Mello, este alvo de investigação pelo Conselho Disciplinar Permanente da UnB, onde cursava Letras, devido ao seu envolvimento em conflitos raciais. O processo ainda está em andamento e tramita de forma sigilosa. Por não ter frequentado mais a universidade durante dois semestres consecutivos, Mello perdeu sua vaga em 2006.

Por sua vez, Rodrigues teria, segundo a PF, participado de assassinatos na capital paranaense. A motivação de todos os supostos homicídios, até agora sem autoria, seria a intolerância. Se for comprovada a cumplicidade de Rodrigues nos crimes, ganhará ímpeto a veracidade do plano da dupla de matar alunos a cursar faculdades de Direito, Comunicação e Ciências Sociais da UnB. Os ataques se dariam em uma casa de eventos.

Os alunos de Ciências Sociais pareciam ser o foco principal de Mello e Rodrigues. O motivo? Aqueles “esquerdistas” tinham ideais liberais sobre sexualidade e direitos de minorias. Enquanto isso, Rodrigues e Mello postavam fotografias de cenas pornográficas a envolver crianças e adolescentes. Como se dá com psicopatas, as ideias dos dois extremistas são permeadas de contradições.

De qualquer forma, como explicar essas tentativas de perpetrar ataques contra as vidas de estudantes e um deputado federal no Brasil? Em grande parte, esse fenômeno decorre da radicalização de uma narrativa ultraconservadora na “fascistofera” e na mídia canarinho.

Neste mundo globalizante onde a tecnologia (leia internet) aproxima cada vez mais os povos, o ultraconservadorismo a reinar nos tabloides e redes de tevê nos Estados Unidos e na Europa logo contagia outros países. E, por tabela, esse discurso tem um enorme impacto nos extremistas capazes de cometer atos de loucura. Esse fenômeno ocorre na Europa, onde a islamofobia e a judeofobia são uma grande preocupação.

Mas, ao contrário do Brasil, onde a vasta maioria da mídia é neoconservadora, na Europa e EUA há periódicos liberais que não aderem a essa narrativa, entre eles o Le Monde, La Repubblica, The Nation, etc. E mesmo diários conservadores como o Corriere della Sera ou Le Figaro fazem o mesmo.

Os dois presos vão responder por crimes de incitação e indução à discriminação ou preconceito de raça, por meio de recursos de comunicação social; de incitação à prática de crime e de publicação de fotografia com cena pornográfica envolvendo criança ou adolescente.

Resta saber se tentativas de atentados como os da dupla Rodrigues e Mello engatilharão ataques terroristas como aqueles de Mohamed Merah, autor de sete assassinatos e morto por policiais em Toulouse.

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