Política

‘Não sei se meu texto vai agradar ou salvar Bolsonaro’, diz relator da anistia na Câmara

O deputado Paulinho da Força, do Centrão, conversou com jornalistas após ser confirmado na relatoria do projeto de lei por Hugo Motta

‘Não sei se meu texto vai agradar ou salvar Bolsonaro’, diz relator da anistia na Câmara
‘Não sei se meu texto vai agradar ou salvar Bolsonaro’, diz relator da anistia na Câmara
O deputado Paulinho da Força, escolhido por Hugo Motta para relatar a anistia na Câmara. Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
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O relator do projeto que concede anistia aos golpistas, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), indicou ainda não ter definido se a medida incluirá ou não um perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão por golpe de Estado. A declaração foi dada nesta quinta-feira 18.

“Não sei se meu texto vai agradar ou salvar Bolsonaro, isso é o que vamos construir, conversando com todos e tendo uma maioria”, disse Paulinho em conversa com jornalistas em Brasília, registrada pela Agência Câmara. “A princípio, vamos fazer algo pelo meio [termo]”, completou o deputado, que também alegou considerar “impossível” uma anistia “ampla, geral e irrestrita” como querem os bolsonaristas.

“[Anistia] ampla, geral e irrestrita é impossível. Essa discussão eu acho que já foi superada ontem [quarta], quando o Hugo [Motta] teve uma reunião de mais de 3 horas com o pessoal do PL”, explicou.

Paulinho foi anunciado na função de relator do projeto nesta quinta-feira pelo presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB). Teria pesado na escolha do parlamentar para o posto, o bom trânsito com ministros do Supremo Tribunal Federal e a proximidade com membros da esquerda e da direita no Parlamento. “Tenho certeza que ele conduzirá as discussões do tema com o equilíbrio necessário”, destacou Motta no anúncio.

Redução de penas

De acordo com Paulinho da Força, a espinha dorsal do texto deve ser a busca de uma redução de penas dos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro. Segundo alegou, a medida ajudará na ‘pacificação do País’. “Precisamos pacificar, sair da polarização, porque isso não é bom para ninguém”, afirmou. “Acho que teremos o apoio da esquerda”, avaliou em outro trecho da conversa.

Negociação com Alcolumbre

O relator do projeto na Câmara, ainda na conversa, informou que tentará uma aproximação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar da possibilidade da produção de um texto de consenso entre as duas Casas. O senador lidera uma empreitada para barrar a obsessão bolsonarista que concede um perdão amplo e irrestrito e aprovar apenas uma “anistia alternativa”.

“Tenho conversado com Alcolumbre, e a ideia é construir algo conjunto com o Senado, para não ter esse problema [de não votar o projeto aprovado na Câmara]”, destacou o relator. “Essa possibilidade [não votar a anistia no Senado] não existe”, sustentou Paulinho.

Urgência

O projeto relatado por Paulinho tramita na Câmara dos Deputados em regime de urgência. O status foi aprovado a toque de caixa na noite de quarta-feira 17. Ao todo, 311 deputados disseram sim à manobra em uma votação relâmpago. Outros 163 não concordaram em acelerar a tramitação da proposta. Apenas sete não votaram.

O texto que teve a tramitação acelerada é de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) em 2023. A medida prevê anistiar envolvidos em atos antidemocráticos a partir de 30 de outubro de 2022, quando bolsonaristas bloquearam rodovias após a derrota eleitoral do então presidente.

O projeto de Crivella também perdoa multas aplicadas pela Justiça Eleitoral e contempla quaisquer medidas de restrições de direitos, inclusive impostas por decisões liminares e sentenças transitadas ou não em julgado (quando não cabem mais recursos) que “limitem a liberdade de expressão e manifestação de caráter político ou eleitoral”.

(Com informações de Agência Câmara)

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