Política

Crise política

"Não renunciarei", diz Michel Temer

por Redação — publicado 18/05/2017 16h37, última modificação 18/05/2017 17h51
Em pronunciamento no Planalto, Temer nega que tenha incentivado pagamentos a Cunha e diz que exige investigação "plena e rápida"
Reprodução
Michel Temer

Temer durante discurso: ele diz que não renuncia

Michel Temer disse nesta quinta-feira 18 que não irá renunciar ao cargo de presidente República. "Não renunciarei", afirmou, em pronunciamento no Palácio do Planalto, recebendo poucos aplausos.

O discurso ocorre após o vazamento da delação de Joesley Batista, um dos donos da JBS. Segundo informações do jornal O Globo, Temer foi gravado dando aval a Batista para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A gravação foi feita em ação conjunta da Polícia Federal com a Procuradoria-Geral da República. Temer nega.

"Repito e ressalto: em momento nenhum autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém por uma razão singela: não temo nenhuma delação. Não preciso de cargo público nem de foro especial e nada tenho a esconder. Sempre honrei meu nome e nunca autorizei que utilizasse meu nome indevidamente", afirmou.

O presidente admitiu, no entanto, que tinha conhecimento da "ajuda" financeira a Cunha. "Houve o relato de um empresário que, por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse e só tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário."

Nesta quinta-feira 18, a PGR enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito para investigar Temer por obstrução à Justiça e corrupção. Edson Fachin, do STF, acatou o pedido. O presidente afirmou que solicitou o conteúdo das gravações, mas disse que seu pedido ainda não foi atendido. Ao final de seu discurso, o peemedebista pediu celeridade nas investigações.

"Quero registrar que a investigação pedida pelo STF será território onde surgirão todas as explicações. No STF mostrarei não ter envolvimento com esses fatos. Não renunciarei", afirmou.

"Desejo investigação plena e rápida. Essa situação de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidos nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações", concluiu. Apesar do presidente classificar as gravações como "clandestinas", elas foram feitas com o aval da PF e da PGR. 

Reformas

Temer disse ainda que, apesar do escândalo, a semana foi boa para a economia do País e fez um apelo pela continuidade das reformas.

"Quero deixar muito claro que o meu governo viveu nesta semana seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação, os números da economia e os dados de geração de emprego criaram esperança de dias melhores e as reformas avançavam no Congresso", disse.

"Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma da crise política. Todo o imenso esforço de retirar o País de sua maior recessão pode se tornar inútil. Não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito em prol do País."