‘Não nasci para ser político, mas para ser soldado’, diz Bolsonaro, que foi deputado por 27 anos

Em SP, o presidente também insistiu em fake news contra o STF e disse que o País teria menos mortes por Covid se ele 'tivesse autoridade'

O então deputado Jair Bolsonaro na votação do impeachment de Dilma, em 2016. Foto: Reprodução/TV Câmara

O então deputado Jair Bolsonaro na votação do impeachment de Dilma, em 2016. Foto: Reprodução/TV Câmara

Política

O presidente Jair Bolsonaro defendeu neste sábado 31 a atuação do governo durante a pandemia. “Tinha poderes para fechar Brasil, mas não tranquei um botequim sequer”, disse, ao final de uma motociata em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Também afirmou que não nasceu “para ser político, mas para ser soldado”. Ex-capitão, Bolsonaro foi durante 27 anos deputado federal, antes de se tornar presidente.

 

 

Aos apoiadores, Bolsonaro ainda insistiu em uma das fake news mais disseminadas por ele e por membros de seu governo: a de que o Supremo Tribunal Federal o ‘impediu’ de tomar as medidas necessárias em meio à crise sanitária. “Se tivesse autoridade para conduzir o Brasil naquele momento, menos pessoas teriam nos deixado”, afirmou. O Brasil soma 555.460 mortes, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde.

A afirmação do presidente sobre o Supremo, no entanto, não é verdadeira. Na última quarta-feira 28, o STF já havia rebatido Bolsonaro por meio das redes sociais, afirmando que “uma mentira repetida mil vezes” não se torna verdade.

“É falso que o Supremo tenha tirado poderes do presidente da República de atuar na pandemia. É verdadeiro que o STF decidiu que União, estados e prefeituras tinham que atuar juntos, com medidas para proteger a população”, disse o Supremo na ocasião.

No evento deste sábado, Bolsonaro também declarou que o País nunca teve um “time de ministros como eu tenho, escolhidos por critério técnico”. O comentário contrasta com as mudanças mais recentes anunciadas pelo próprio governo, feitas para acomodar apoiadores do Centrão em cargos do primeiro escalão da administração pública.

O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, foi alocado na Casa Civil, o que consolida a influência da cúpula do Centrão no governo. Com isso, o general da reserva Luiz Eduardo Ramos foi deslocado para a Secretaria-Geral da Presidência. Onyx Lorenzoni (DEM), que estava na secretaria, será o titular do Ministério do Trabalho – pasta retirada do controle do ministro da Economia, Paulo Guedes.

 

*Com informações da Agência Estado

 

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