“Não é porque falou grosso que vou dar as costas”, diz Bolsonaro sobre Trump

'Somos os pobres da história', disse o presidente, ao comparar a relação entre Brasil e Estados Unidos

Donald Trump e Jair Bolsonaro. Foto: Alan Santos/PR

Donald Trump e Jair Bolsonaro. Foto: Alan Santos/PR

Política

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira 4, que houve “exagero” na repercussão negativa sobre o aumento de taxação sobre metais pelos Estados Unidos, medida anunciada pelo presidente americano Donald Trump na segunda-feira 2. A declaração ocorreu em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília.

Bolsonaro afirmou que não ficou decepcionado e que a medida dos EUA não deve afetar na relação com o Brasil.

“Não tem decepção porque ele não bateu o martelo ainda. Não é porque um amigo meu falou grosso em uma situação qualquer que eu vou dar as costas a ele, não”, disse o presidente. Perguntado sobre o que deve fazer se o impasse permanecer, ele afirmou que “o ‘se’ não se discute como presidente da República”.

Bolsonaro evitou informar se telefonou para Trump, como havia sugerido assim que a notícia foi veiculada na imprensa.

“Se eu já liguei para ele ou não, você não vai ficar sabendo”, disse a um jornalista. “Tem certas pessoas que é de Estado. Não adianta eu dar uma de pavão misterioso aqui, se liguei ou não liguei, falei ou não falei. Já temos todas as informações”, disse.

 

O presidente afirmou ainda que o Brasil é o lado “pobre da história” e que, ainda assim, tenta seguir com as negociações com Trump.

“Nós somos os pobres da história, eu não sei quantas vezes a economia deles é maior do que a nossa. Nós estamos com um bodoque, um estilingue né. O cara está com uma ponto 50. Há um certo exagero no que está acontecendo. Por enquanto, não está sobretaxado nada, só tem a promessa dele no Twitter”, disse Bolsonaro.

O presidente disse que não há exagero na declaração dada por Trump, sobre a desvalorização do real. Ao aumentar as taxas sobre metais, o presidente dos Estados Unidos justificou que o Brasil e a Argentina estão “promovendo desvalorização em massa de suas moedas”, o que considerou ruim para os fazendeiros do país.

“Eu acredito no Trump. Não tenho nenhuma idolatria por ninguém. Temos uma amizade bastante… Não vou falar amizade, eu não frequento a casa dele e nem ele a minha. Mas temos um acordo, assim, um contato bastante cordial”, afirmou.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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