Na rua, Bolsonaro defende cloroquina: “Dando certo em tudo que é lugar”

Ministério da Saúde, no entanto, afirma que estudos são incipientes e alerta para os riscos da automedicação, que pode levar à morte

Foto: Isac Nóbrega/PR

Foto: Isac Nóbrega/PR

Política

Durante visita a comércios do Distrito Federal na manhã deste domingo 29, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso da cloroquina para tratamento de pacientes com coronavírus. “Aquele remédio lá, o hidróxido de cloroquina, está dando certo em tudo que é lugar”, afirmou durante conversa com um trabalhador informal, em Taguatinga/DF.

Depois, em fala a apoiadores no Palácio do Planalto, o presidente voltou a reafirmar a eficácia do medicamento. “Se fosse a mãe de um de vocês, um filho, duvido que não assinariam um termo de compromisso para uso desse medicamento. Temos que tratar esse assunto sem demagogia, sem disputa política”, acrescentou.

Ao contrário do que insiste o presidente, o ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou durante coletiva do Ministério no sábado 28 que o estudo dos efeitos da cloroquina no combate à Covid-19 ainda é incipiente e que o remédio é apenas uma das pistas que estão sendo seguidas pela área médica para o tratamento da doença.

“Não é a panaceia (remédio para curar todos os males). A cloroquina não é o remédio que veio para salvar a humanidade, ainda”, disse o ministro.

O protocolo do ministério permite que os hospitais utilizem o medicamento para tratar os casos mais graves da doença seguindo protocolo do próprio ministério. A substância, no entanto, não é liberada para a população em geral sob o risco de mais mortes por automedicação do que pela própria Covid-19.

“Esse medicamento, se tomado, pode dar arritmia cardíaca, pode paralisar a função do fígado. Se sairmos com a caixa na mão dizendo ‘pode tomar’, nós podemos ter mais mortes por mal uso do medicamento do que pela própria virose. Não façam isso”, afirmou Mandetta.

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