Na OMS, Queiroga esconde atos de Bolsonaro e diz que governo defende medidas contra a Covid

Na 74ª edição da Assembleia Mundial da Saúde, o ministro afirmou que o País promove uma 'firme recomendação de medidas não-farmacológicas'

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Política,Saúde

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ignorou o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter provocado, no domingo 23, mais uma aglomeração. Na Assembleia Mundial da Saúde, o ministro disse que o governo adota uma firme recomendação de medidas contra a Covid-19.

 

 

“No Brasil, investimos recursos financeiros e humanos na promoção da saúde e na retomada da economia”, afirmou. “A isso, somamos nossa firme recomendação de medidas não-farmacológicas para toda a população.”

As medidas não farmacológicas são compostas, por exemplo, pelo distanciamento social e pelo uso de máscaras, atitudes constantemente desrespeitadas por Bolsonaro.

“Hoje, nossa maior esperança para permitir o retorno gradual e seguro à normalidade é a ampla vacinação”, disse ainda Queiroga. Ele também defendeu que o Brasil receba antes de outros as vacinas que fazem parte do consórcio internacional Covax Facility, dada a situação da pandemia no País.

“Entendemos ser fundamental o uso de critérios epidemiológicos no processo de alocação de vacinas”, opinou.

Na assembleia da Organização Mundial da Saúde, Queiroga mentiu sobre o número de pessoas vacinadas no Brasil. Ele disse, segundo relato do colunista Jamil Chade, do UOL, que até o momento o Sistema Único de Saúde “já distribuiu mais de 90 milhões de doses de vacinas e vacinou mais de 55 milhões de pessoas, dentre as quais mais de 80% de indígenas”.

De acordo com o consórcio de imprensa que acompanha os números da Covid-19 no Brasil, entretanto, 41,9 milhões de brasileiros (19,82% da população) receberam ao menos uma dose do imunizante. Apenas 20,6 milhões (9,76% do total) tiveram acesso às duas doses.

Nesta segunda, o ministro prometeu colocar a capacidade produtiva do Brasil “à disposição para aumentar a produção de meios de diagnósticos, tratamentos e vacinas para a Covid-19”. A fim de atingir esse objetivo, pediu reforço na cooperação técnica e na transferência de tecnologia, “de modo que estamos engajados nas discussões sobre produção local e propriedade intelectual”.

A 74ª edição da Assembleia Mundial da Saúde começou nesta segunda e se estenderá até o dia 1º de junho. No início do evento, o presidente da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, cobrou um esforço internacional para assegurar a imunização de 10% da população de cada país até setembro.

Ele denunciou uma “escandalosa desigualdade” na distribuição de vacinas e pediu que os países doem imunizantes, “um impulso em massa para vacinar pelo menos 10% da população de cada país de hoje até setembro” e 30% até o final do ano.

“Isso é crucial para impedir doenças e mortes, manter nossos profissionais de saúde seguros, reabrir nossas sociedades e economias”, insistiu.

 

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