Política

Na ‘Marcha para Jesus’, Bolsonaro foge da responsabilidade pela crise e recorre a clichês da extrema-direita

Em Manaus, o ex-capitão discursou sobre comunismo, ‘ideologia de gênero’ e aborto e transferiu a culpa pelo drama econômico

Foto: Reprodução/TV Brasil
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) participou, neste sábado 28, da “Marcha para Jesus”, em Manaus (AM). Em seu discurso, já no início da noite, recorreu a clichês da extrema-direita contra adversários políticos – de menções a uma suposta “ideologia de gênero” até referências ao comunismo e ao direito ao aborto.

Bolsonaro tentou, como de praxe, se desvincular do drama econômico que o Brasil vive. Mais uma vez, buscou transferir a responsabilidade pelos problemas e fez diversas críticas indiretas ao ex-presidente Lula (PT), líder das pesquisas de intenção de voto.

“O Brasil e o mundo passam por momentos difíceis. Não temos um responsável”, afirmou o ex-capitão. “O mundo todo está sofrendo na política e na economia pós-pandemia. Sofremos também em virtude da guerra. Mas sabemos que esses momentos difíceis estão chegando ao seu final.”

Conforme mostrou CartaCapital, as afirmações de que o movimento global de aumento da inflação é idêntico em diferentes países não se sustentam. Essa é uma das principais alegações de Bolsonaro quando questionado sobre a elevação do custo de vida e a perda do poder de compra da população.

Levantamento da Trading Economics, plataforma que reúne e analisa os dados oficiais de quase 200 países, demonstra que a inflação brasileira é a quarta maior entre as nações do G20 e a sexta no continente americano.

No G20, vivem situação pior que a brasileira apenas a Turquia, cuja inflação em 12 meses chega a 69,97%, a Argentina (58%) e a Rússia (17,8%). A quinta colocada na lista é a Holanda, cujo índice de inflação em 12 meses, já atualizado em abril, é de 9,6%.

Ao analisar apenas o continente americano, o ranking demonstra que a inflação mais alta é a da Venezuela, com acumulado em 12 meses de 222%. Atrás vêm Suriname (61,5%, com dados atualizados em janeiro), Argentina (58%), Haiti (23,95% até janeiro) e Cuba (23,3% até janeiro). Em sexto lugar vem o Brasil, seguido pelo Paraguai (11,8%, já atualizado em abril).

Ao criticar o PT, Bolsonaro disse que “sabemos o que o outro lado quer fazer,  sabemos o que eles fizeram no passado e não queremos retornar a essa época sombria onde (sic) imperavam a corrupção, o desmando e o ataque à família brasileira”.

A fim de evitar o foco sobre os problemas econômicos, Bolsonaro repetiu um dos principais clichês da campanha eleitoral de 2018: “Não aceitamos a nossa bandeira ser vermelha”. E emendou: “Não aceitamos o comunismo ou o socialismo. Daremos a nossa vida pela nossa liberdade. Repudiamos todos aqueles que, por ocasião da pandemia, fecharam igrejas e templos”.

Uma pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira 26 aponta a liderança folgada de Lula na disputa pela Presidência da República. No primeiro turno, o petista aparece com 21 pontos de vantagem sobre Bolsonaro e chega a 54% dos votos válidos. No segundo, ampliou a dianteira sobre o ex-capitão na comparação com a rodada anterior, de março, e venceria por 58% a 33%.

CartaCapital
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