Municiada por Funaro, nova denúncia contra Temer se aproxima

Política

Nesta quinta-feira 31, Rodrigo Janot, procurador-geral da República, devolveu ao Supremo Tribunal Federal o acordo de delação premiada de Lúcio Funaro, operador do PMDB ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha. Os relatos de Funaro ainda não foram homologados, pois Edson Fachin, ministro do STF, pediu à PGR ajustes em uma das cláusulas da colaboração.

O procedimento segue em segredo de Justiça e não se sabe  se terá seu sigilo levantado após a homologação pelo STF. É possível que o conteúdo da delação seja revelado com a apresentação por Janot de uma segunda denúncia contra Temer por obstrução de Justiça e organização criminosa. A primeira, que o acusava de corrupção passiva, foi barrada pela Câmara dos Deputados em 2 de agosto.

Ao indicar que usará as informações de Funaro para embasar a nova denúncia contra o peemedebista, Janot deve concentrar-se na acusação de que Temer tinha conhecimento de pagamentos mensais ao operador do PMDB e a Cunha para ambos não assinarem um acordo de colaboração premiada.

Supostamente feitos por Joesley Batista, dono da JBS, os pagamentos mensais à dupla com o propósito de mantê-los em silêncio devem ser confirmados na delação de Funaro. Segundo reportagem do jornal “O Globo” desta quinta 31, o operador do PMDB afirmou em sua colaboração que recebeu dinheiro de Joesley para não revelar o que sabia sobre os esquemas envolvendo o partido de Temer.

Se for confirmada a versão de Funaro em sua delação, a nova denúncia contra Temer terá ainda mais elementos para comprovar o conhecimento de Temer da “operação abafa”, acusação amparada também pela delação de Joesley e pela gravação feita pelo empresário em diálogo com o peemedebista.

No áudio entregue por Joesley às autoridades em sua delação, o empresário dá a entender que está pagando uma mesada à dupla. Temer replica: “Tem que manter isso, viu?”. No mesmo encontro registrado em áudio, Joesley também relatou a Temer que tinha relações com dois juízes e um procurador em Brasília para obstruir ações da Justiça. No diálogo, o peemedebista não fez qualquer objeção à narrativa de Joesley, como também não comunicou a suposta tentativa de obstrução às autoridades policiais, o que pode ser visto como prevaricação.

Em depoimento à Polícia Federal no mês passado, Funaro confirmou ter recebido pagamentos, mas disse que se tratavam da quitação de uma dívida antiga. Segundo “o Globo”, o operador decidiu rever suas declarações após os investigadores não acreditarem em sua explicação.

Janot corre para apresentar a segunda denúncia contra Temer antes de sua saída da PGR, que será chefiada por Raquel Dodge a partir de setembro. Com a escolha de Dodge, o peemedebista pode ter influência sobre a Procuradoria para rever ou mesmo anular o acordo de delação firmado por Janot com a JBS.

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