Diversidade

MPF rejeita ação de Nikolas Ferreira contra pesquisa sobre crianças trans

O deputado tentou barrar uma emenda de Sâmia Bomfim para a ONG Minha Criança Trans; Procuradoria descartou irregularidades e criticou viés persecutório

MPF rejeita ação de Nikolas Ferreira contra pesquisa sobre crianças trans
MPF rejeita ação de Nikolas Ferreira contra pesquisa sobre crianças trans
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Atos de 8 de Janeiro de 2023 (CPMI - 8 de Janeiro) ouve general da reserva e ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Em pronunciamento, à bancada, deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
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O Ministério Público Federal solicitou o arquivamento de uma ação protocolada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que tentava barrar uma emenda parlamentar destinada ao financiamento de uma pesquisa da ONG Minha Criança Trans.

A emenda, de autoria da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), prevê o repasse de R$ 240 mil para que a entidade realize um levantamento de dados voltado à formulação de políticas públicas para a promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes trans em São Paulo.

Na tentativa de impedir a liberação da verba, Nikolas Ferreira argumentou que o montante estaria em desacordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias, alegando que a iniciativa incentivaria crianças a terem “opções sexuais” divergentes do sexo biológico.

O MPF, no entanto, concluiu que não há indícios de irregularidade ou violação das normas de transparência na destinação dos recursos. O órgão também destacou que a “aceitação da identidade de gênero não se confunde com uma política de estímulo à diversidade sexual em desconformidade com o sexo biológico”.

“Possibilitar que crianças e adolescentes sejam vistos como seres humanos completos, com direito de participar plenamente da vida familiar e comunitária, sem discriminação, implica apenas garantir que todos tenham oportunidades iguais para se desenvolver e viver com dignidade. Assim, a ausência dos requisitos legais que autorizam o ingresso via ação popular denota a inadequação da via eleita”, diz um trecho do parecer.

Em nota, a presidenta da ONG, Thamyris Nunes, classificou a ação de Nikolas Ferreira como um reflexo do viés transfóbico da política brasileira, que busca silenciar discussões sobre a transgeneridade na infância. “Seremos resilientes e contaremos, mais uma vez, com a Justiça para demonstrar que nossas atuações têm o objetivo de proteger e garantir os direitos de todas as crianças e adolescentes trans no Brasil”, afirmou.

O advogado da instituição, Carlos Nicodemos, reforçou que o parecer do MPF evidencia o “desvio de finalidade da ação proposta pelo parlamentar, que faz uso indevido da Justiça para uma militância persecutória sem fundamento legal”.

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