Política

MPF investiga exoneração de diretor do Ibama que coordenou expulsão de grileiros

Órgão quer saber quais serão os possíveis impactos da exoneração do diretor, que apareceu em uma reportagem do Fantástico e foi demitido

MPF investiga exoneração de diretor do Ibama que coordenou expulsão de grileiros
MPF investiga exoneração de diretor do Ibama que coordenou expulsão de grileiros
O garimpo invade terras indígenas. (Foto: Felipe Milanez)
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O Ministério Público Federal irá investigar a exoneração do ex-diretor de Proteção Ambiental do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Olivaldi Azevedo, após surgirem especulações de que sua saída teria sido ocasionada por incômodos do governo em relação a uma reportagem do Fantástico, da TV Globo. A matéria, veiculada no domingo 12 e com continuação no dia 18, mostrou a ação de grileiros e garimpeiros nas terras indígenas protegidas pela Constituição.

O motivo da investigação é apurar se houve algum “desvio de finalidade” ocasionada pela demissão de Azevedo, que articulou a operação dos servidores, e quais serão os reflexos da decisão, “especialmente nas operações de fiscalização que estão em curso na Amazônia.”, acrescentou o MPF.

“A exoneração do servidor ocorreu dois dias depois da divulgação de uma megaoperação contra garimpos e madeireiras ilegais no interior do Pará na área das Terras Indígenas Apyterewa, Araweté e Trincheira Bacajá. Foram encontrados garimpos ilegais em plena atividade, serrarias funcionando no meio da mata, grande volume de armas e munições não legalizadas e animais silvestres em sacolas, posteriormente soltos pelos fiscais do Ibama.”, explicou o órgão.

Além disso, a operação também visava garantir a segurança dos indígenas em relação ao coronavírus, que já vitimou pessoas de povos tradicionais no Brasil.

Olivaldi Azevedo nega que sua saída tenha sido motivada por pressão política, mas também não se alonga nas motivações. Em uma entrevista ao portal Poder 360, ele afirmou que planejava sair do Ibama no final de 2019, mas teria continuado após um pedido do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.  “Minhas palavras têm sido deturpadas nas entrevistas”, disse.

Ele também defendeu o trabalho e chamou a atenção para a falta de servidores na pasta. “Destruir máquinas faz parte do dia a dia do Ibama. Era assim e continuará sendo. Não tem como deixar com o infrator o equipamento, ele vai continuar trabalhando”, afirmou. “Só o Ibama não conseguirá reduzir o desmatamento. É impossível. Nem que tivesse seu quadro completo”, declarou.

Nas redes sociais, o ministro Salles se limitou a fazer uma provocação e não prestou mais esclarecimentos sobre a saída do ex-diretor. “Futrica dos EleNão”, disse em uma publicação na qual compartilha a reportagem do Poder 360.

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