Política

Mourão distorce dados de desmatamento e preservação da Amazônia em discurso

Vice-presidente participou nesta quarta-feira 27 de uma mesa virtual do Fórum Econômico Mundial

(Foto: Reprodução/Fórum Econômico Mundial no Youtube)
(Foto: Reprodução/Fórum Econômico Mundial no Youtube)

O vice-presidente da República Hamilton Mourão afirmou, em um discurso ao Fórum Econômico Mundial nesta quarta-feira 17, que o Brasil “não mede esforços” para reduzir o desmatamento na Amazônia e comemorou resultados obtidos no ano passado.

Em 2020, porém, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais indicou que a taxa de desmatamento de 2020 mostrou um aumento de 9,5% em relação ao ano de 2019, a maior dos últimos 12 anos.

Mourão, que também comanda o Conselho da Amazônia Legal, argumentou que o desmatamento foi reduzido em 17% no segundo semestre e que todos os órgãos ambientais trabalhavam com a “melhor de suas capacidades”.

No entanto, autarquias como o Ibama e o ICMBio operaram com orçamentos apertados. O Ibama, por exemplo, em meio à crise do Pantanal, ficou com as equipes de combate a incêndios florestais impossibilitadas de continuarem trabalhando ao longo do ano devido à escassez de recursos.

O ano passado também foi marcado por uma queda de 20% das multas ambientais em relação a 2019, e de 35% na comparação com 2018.

O discurso do vice-presidente foi feito em uma conferência do Fórum Econômico Mundial de Davos, realizado online em 2021 devido à pandemia, chamado “Financiando a Transição da Amazônia para uma Bioeconomia Sustentável”.

O tema da mesa impulsionou Mourão a mencionar novamente a necessidade de financiamento para políticas sustentáveis na Amazônia e fez com que ele anunciasse um suposto projeto do ministro da Economia, Paulo Guedes, chamado de “Novo Projeto Verde da Amazônia”, em tradução literal, que estaria sendo desenvolvido para impulsionar o financiamento privado na região.

Mourão também afirmou que o governo brasileiro estaria “em negociação” com os países signatários do Fundo Amazônia, que possui cerca de 2,9 bilhões de reais congelados desde 2019 após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ter apontado ingerência de recursos doados pela Noruega e Alemanha. O ministro não apresentou provas.

No painel, também estavam presentes para declarações o presidente da Colômbia, Ivan Duque, que abriu a conferência afirmando que “o desmatamento é a maior ameaça para a região”; o presidente do BNDES, Gustavo Montezano; o atual presidente do Banco Itaú, Candido Bracher; e o diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, além de outras figuras convidadas pelo Fórum.

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