Política
Motta cria grupo de trabalho para o PL da Misoginia
O objetivo, segundo o presidente da Câmara, é levar o tema ao plenário com celeridade
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou nesta sexta-feira 24 a criação de um grupo de trabalho para discutir um projeto de lei que tipifica crimes associados à misoginia.
Os trabalhos do GT serão coordenados pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Ao fim das discussões, o colegiado elaborará um relatório que será levado a votação em plenário.
Nas redes sociais, Motta reforçou que “proteger as brasileiras é prioridade absoluta” da Câmara. Segundo ele, a medida visa uma tramitação mais célere do projeto, evitando que ele fique emperrado em meio a múltiplas comissões.
“Combater a violência contra a mulher é urgente. O GT assegura um debate técnico e profundo. Ao mesmo tempo, agiliza a pauta para que a tramitação seja muito mais rápida e chegue logo ao plenário”, declarou.
De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), o projeto foi aprovado pela Casa Alta em outubro de 2025 e estabelece que a injúria por misoginia terá pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa.
O texto também tipifica a conduta de praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito em razão de misoginia, com pena de um a três anos de prisão. A autora argumenta que discursos de ódio contra as mulheres contribuem para o aumento dos casos de violência, o que exige uma resposta penal específica.
Como ainda não há tipificação consolidada no Código Penal, eventuais condutas misóginas são enquadradas por outras normas, com pena menor, como injúria e difamação, a depender da interpretação jurídica adotada.
Nesses casos, os processos tendem a não prever uma punição adequada por falta de legislação específica, resultando em subnotificação e baixa taxa de condenação.
Na Câmara, porém, o texto tem dividido opiniões. Enquanto parlamentares do campo progressista veem na proposta um encaminhamento efetivo para a proteção à mulher, deputados da extrema-direita alegam que, se aprovado, o PL pode resultar em censura.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



