Política

Moro diz que foi ao Nordeste e não viu ‘domínio lulista na região’; pesquisas mostram o contrário

Ex-juiz também acusou a PF de querer interferir nas eleições e criticou nota contra ele: ‘Achei inapropriada’

Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (Podemos), em entrevista a uma rádio de Sergipe nesta quarta-feira 16, afirmou que não viu ‘domínio lulista’ entre o eleitorado nordestino enquanto esteve em caravana pela região. Pesquisas recentes, no entanto, mostram o contrário e indicam que o ex-presidente Lula (PT) tem ainda mais vantagem nas intenções de voto nos estados do Nordeste. Historicamente, o petista acumula vitórias expressivas nos nove estados.

Ao ser questionado sobre como foi sua passagem pelo reduto eleitoral do PT e de Lula, Moro respondeu que a ‘receptividade tem sido excelente’, minimizando em seguida o apoio histórico a Lula pelos eleitores da região.

“A receptividade tem sido excelente. Não tenho visto esse domínio lulista no Nordeste, não. O que vejo são pessoas muito insatisfeitas com o governo atual. E, portanto, acabam escolhendo pensando no Lula”, minimizou Moro em uma análise de sinais trocados.

O levantamento mais recente no Nordeste, realizado em dezembro pelo instituto Ipec, mostra que Lula, a despeito da análise de Moro, tem 63% das intenções de voto. O desempenho fica bem acima dos 43% no cenário geral, que já o colocam em ampla vantagem sobre os demais candidatos e com chances de vencer ainda no primeiro turno.

Outra comprovação do ‘domínio lulista’ no segundo maior colégio eleitoral do país, com 39 milhões de votantes, é o baixo desempenho dos demais candidatos, inclusive aqueles em que a carreira política foi construída no Nordeste, como Ciro Gomes (PDT), com 6%, e Alessandro Vieira (Cidadania), que não pontua na região.

Entre os demais, há também um recuo significativo das intenções de voto gerais, como visto com Jair Bolsonaro (PL), que soma 21% em todo o país, mas apenas 15% no Nordeste. Moro cai de 6% no geral para apenas 3% entre o eleitorado nordestino.

Na entrevista, Moro disse ainda ter sido advertido pelos seus assessores por estar mostrando um ‘desconhecimento’ com o Nordeste. Segundo relatou, vinha se referindo aos nove estados como ‘uma coisa só’ e recebeu um ‘puxão de orelha’ da equipe.

“O pessoal já me advertiu. Você não pode tratar o Nordeste como se fosse uma coisa só. E, eles estão certos. Cada estado tem suas peculiaridades”, disse o ex-juiz.

‘Achei inapropriada’, diz Moro sobre a nota da PF, que o chama de mentiroso

O ex-juiz Sergio Moro também respondeu à nota publicada pela Polícia Federal na tarde desta terça-feira 15, na qual é acusado de mentir e desconhecer a corporação. No texto, a PF ainda acusa o ex-ministro de querer fazer palanque político com o trabalho da instituição. A publicação foi uma resposta às declarações recentes de Moro, que disse que a PF nunca mais havia prendido ninguém após sua saída do Ministério da Justiça.

Sobre o tema, Moro reiterou as críticas e voltou a afirmar que a corporação parou com ‘as grandes operações’.

“Não é só uma questão de quantidade, é uma questão de quem está sendo preso. […] Os grandes tubarões não está tendo prisão nenhuma, a gente não ouve falar nada sobre isso. […] Nunca vi a direção da PF querer interferir em eleições. Achei inapropriado”, disse o ex-juiz.

Ao rebater a nota, no entanto, Moro afirmou que ela não representaria a posição da PF e sim da atual direção da instituição.

“Essa nota na verdade não é da Polícia Federal, é da atual direção da Polícia Federal. […] A direção atual não representa o que pensam essas pessoas [agentes e outros funcionários da polícia]”, destacou Moro.

Moro deixou o governo de Jair Bolsonaro em abril de 2020 acusando o presidente de tentar interferir politicamente na PF, por meio da mudança de delegados em postos de comando, a fim de blindar familiares e aliados de investigações.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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