Política

Moro diz que fica no governo e afirma que vaga no STF é “interessante”

Em entrevista à rádio Jovem Pan, ministro brincou ao chamar sua decisão de ‘segundo Dia do Fico’

Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública - Foto: Reprodução/YouTube
Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública - Foto: Reprodução/YouTube

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou que continua no governo, após o presidente Jair Bolsonaro desistir de desmembrar a pasta comandada pelo ex-juiz. Em entrevista à rádio Jovem Pan, Moro brincou ao chamar sua decisão de “segundo Dia do Fico”.

Após ser perguntado por jornalistas se permaneceria na chefia do ministério, ele fez referência ao episódio da história em que D. Pedro I declarou que não retornaria a Portugal e que permaneceria no Brasil.

“Vai ser o segundo Dia do Fico, né?”, disse Moro. Em seguida, disse que o assunto está encerrado. “Eu nunca falei nada. Esse episódio, o próprio presidente falou na sexta-feira (24) que está encerrado. Não tem nenhum motivo para eu não ficar. Estou fazendo um trabalho que eu me comprometi com o presidente. Fomos duros com o crime organizado, a criminalidade violenta, a corrupção, e os dados são positivos.”

A declaração contraria especulações de que Moro teria cogitado sair do ministério, caso Bolsonaro desmontasse a pasta. Caso o presidente recriasse o ministério da Segurança Pública, o nome mais cotado seria o do ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF).

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, publicada no domingo 26, Fraga afirmou que o colégio de secretários de segurança, a Polícia Militar, a Polícia Civil e os peritos criminais querem a criação do Ministério da Segurança Pública. Segundo ele, Moro não entende de Segurança Pública, “parece menino buchudo” e “o presidente não vai ficar com medo” de rever a decisão.

À Jovem Pan, defendeu seu currículo na área e afirmou que mantém o compromisso com o Palácio do Planalto. Sobre as eleições de 2022, declarou que reconhece a intenção de Bolsonaro tentar a reeleição e que vai apoiá-lo.

“Toda hora me perguntam isso, daqui a pouco vou ter que tatuar na testa. Mas o que acontece? Em 2022, o presidente já apontou no sentido de que pretende reeleição. É uma decisão dele, unicamente. E claro, eu sou ministro do governo, eu vou apoiar o presidente Jair Bolsonaro”, disse. “Não cabe isso, tem uma questão de lealdade em estar lá.”

Perguntado se aceitaria ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro disse que avalia a possibilidade como “interessante”. Em novembro deste ano, o ministro Celso de Mello se aposenta e deixa espaço para um substituto, mas Bolsonaro já afirmou que quer um magistrado “terrivelmente evangélico”.

“Eu não gosto de discutir vaga quando a vaga não existe”, declarou. “Eu acho que é uma perspectiva que pode ser interessante, natural na minha carreira, né. Eu venho da magistratura, seria algo interessante. Mas a escolha, evidentemente, cabe ao presidente da República. Ele tem a possibilidade de me indicar, de indicar outra pessoa. Falam lá no AGU, André Mendonça, que é uma pessoa muito qualificada”, disse, em referência ao chefe da Advocacia-Geral da União.

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