Moro critica presidente da OAB: “Postura de militante político”

Felipe Santa Cruz disse que não é mais recebido no Ministério da Justiça

O ministro Sergio Moro, durante solenidade no Palácio do Planalto. Foto: Carolina Antunes/PR

O ministro Sergio Moro, durante solenidade no Palácio do Planalto. Foto: Carolina Antunes/PR

Política

O ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou, nesta quarta-feira 11, que o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, tem “postura de militante político-partidário”. A declaração foi publicada em sua rede social.

Moro rebateu uma queixa de Santa Cruz, que afirmou à revista Época que não é recebido no Ministério da Justiça. Em resposta, o ex-juiz escreveu que discorda da conduta do presidente da OAB.

“Tenho grande respeito pela OAB, por sua história, e pela advocacia. Reclama o presidente da OAB que não é recebido no MJSP [Ministério da Justiça e Segurança Pública]. Terei prazer em recebê-lo tão logo abandone a postura de militante político-partidário e as ofensas ao PR [presidente da República] e a seus eleitores”, publicou Moro.

Segundo a Época, Santa Cruz disse que este é o pior momento na história da relação entre a OAB e o Ministério da Justiça. “Não tem diálogo nenhum. Nem na ditadura isso acontecia”, disse.

A revista também reporta que Santa Cruz chamou o discurso do presidente Jair Bolsonaro de “racista, homofóbico e machista” e disse que não duvida de que a família Bolsonaro tenha participação no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes.

Em 29 de julho, o presidente da OAB foi alvo de uma série de ataques do presidente da República. À imprensa, Bolsonaro disse que sabia como Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, desapareceu no período militar.

Posteriormente, em vídeo publicado nas redes sociais, Bolsonaro acusou Fernando de participar de um grupo terrorista “sanguinário” e que teria sido morto por militantes de esquerda. As informações teriam sido retiradas de um livro do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel conhecido na ditadura.

À época, Santa Cruz afirmou que Bolsonaro demonstrou “crueldade” ao debochar do assassinato de um jovem de 26 anos, idade que seu pai tinha quando desapareceu. Segundo a OAB, as circunstâncias do desaparecimento nunca foram relatadas pelo Estado.

O presidente da entidade interpelou Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal para pedir explicações, mas o processo foi arquivado após o presidente da República responder que não teve a intenção de ofendê-lo.

 

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