Ministro Ricardo Salles usa notícia de 2014 para atacar Fundo Amazônia

As articulações do ministro do Meio Ambiente em torno do Fundo dão a entender que o mecanismo pode ser extinto

Crédito: agência Brasil

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Política,Sustentabilidade

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recorreu a uma notícia de 2014 para atacar o Fundo Amazônia. No dia 6 de julho, Salles postou em seu twitter uma matéria do Valor Econômico de que o Fundo disponibilizaria recursos para monitorar o desmatamento na África, notícia veiculada há cinco anos atrás.

Os impasses acerca do Fundo começaram quando o ministro Salles sugeriu mudanças para coibir supostas irregularidades no Fundo Amazônia, o que causou mal-estar entre os principais doadores do programa, Noruega e Alemanha. No dia 17 de maio, ele afirmou que os contratos do fundo apresentaram problemas na prestação de contas.

O governo declarou que prepararia um novo decreto para o fundo, defendendo que parte dos recursos seja destinado a desapropriações atrasadas em vez da conservação da floresta, o que levou à Embaixada da Noruega a discordar da proposta e defender o modelo em vigência atualmente, dando ênfase à robusta governança, ao rígido monitoramento e à ampla participação da atual gestão do fundo.

Salles e os embaixadores da Noruega e Alemanha chegaram a se reunir para discutir o fundo e chegar a um acordo, mas, no último dia 3, as declarações do ministro deram a entender que o Fundo pode acabar, o que também tem relação com a extinção do Cofa (Comitê Orientador do Fundo Amazônia) e do comitê técnico, extintos pelo presidente Jair Bolsonaro.

Criado em 1° de agosto de 2008, o Fundo Amazônia foi idealizado durante a 12ª Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), realizada em Nairóbi, no Quênia, em 2006. Ele tem como objetivo captar doações para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal.

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Repórter do site CartaEducação

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