Ministro diz que Auxílio Brasil terá reajuste de 20% sobre Bolsa Família, mas não explica fonte de recursos

Segundo João Roma, da Cidadania, haverá um 'benefício transitório' até o fim de 2022 que garantirá 400 reais por mês

O ministro João Roma. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro João Roma. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Política

O ministro da Cidadania, João Roma, disse nesta quarta-feira 20 que o Auxílio Brasil terá um reajuste permanente de 20% sobre os valores pagos atualmente via Bolsa Família. O novo benefício começará a ser disponibilizado no mês que vem.

Segundo Roma, haverá um “benefício transitório” até o fim de 2022 que garantirá o pagamento de pelo menos 400 reais. Em pronunciamento, porém, o ministro não explicou a fonte de custeio do programa, nem respondeu a perguntas de jornalistas.

 

 

“O programa permanente, que é o Auxílio Brasil, que sucede o Bolsa Família, tem um ticket médio. O programa permanente tem valores que oscilam. Vão desde valores abaixo de 100 reais até valores acima de 500 reais. Portanto, o programa, de modo geral, terá reajuste de 20%”, afirmou.

“Além disso, estamos estruturando um benefício transitório que funcionaria até dezembro do próximo ano, e esse benefício transitório teria por finalidade equalizar o pagamento desses benefícios para que nenhuma destas famílias beneficiárias receba menos de 400 reais”, prosseguiu. Roma ainda declarou que o governo busca “todas as possibilidades para que o atendimento desses brasileiros necessitados siga de mãos dadas com a responsabilidade fiscal”.

Confusão na véspera

O deputado federal Marcelo Aro (PP-MG), relator da Medida Provisória que institui Auxílio Brasil, disse na terça-feira 19 que não aceitará incluir no texto qualquer benefício temporário. Ele criticou a condução do processo pelo governo de Jair Bolsonaro.

A gestão federal planejava anunciar na terça os detalhes do programa. Aro, porém, criticou a possibilidade de que 100 reais de cada parcela fossem pagos fora do teto de gastos, como um auxílio temporário até o fim do ano que vem.

“Eu sou um defensor da renda básica universal. Enfim, eu tenho toda a minha pauta voltada pra isso, mas eu não posso aceitar, dentro de uma medida provisória que nós estamos mudando o conceito, toda a estrutura de um programa social, a gente colocar no meio um auxílio temporário que no meu ponto de vista só tem um único objetivo, um cunho eleitoral, né?”, disse Aro a jornalistas.

“Quem faz mal feito faz duas vezes. Virou a casa da mãe Joana. Foi falado um valor, mas de onde vai tirar o dinheiro? ‘Não sei, se virem’. Aí cria um temporário, aí organiza evento para o anúncio. Alguém deve ter virado e falado: ‘Mas está tudo certo? Tem orçamento?’. Até que chegaram à conclusão de que não dava para anunciar”, prosseguiu. “Ficou feio para o governo. Marcou evento, cancelou evento. Agora, o governo é que tem que nos dar respostas”.

 

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