Política

Ministério da Agricultura exonera superintendentes de Goiás e Paraná

Medidas integram esforço do governo para evitar derrocada nas exportações de carne. A União Europeia já emitiu sinal de alerta

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Em portaria divulgada nesta segunda-feira 20, o Ministério da Agricultura exonerou os superintendentes federais de agricultura, pecuária e abastecimento de Goiás, Júlio César Carneiro, e do Paraná, Gil Bueno de Magalhães. Na sexta-feira 17, após a Polícia Federal deflagrar a Operação Carne Fraca, o governo anunciou o afastamento de 33 servidores suspeitos de envolvimento nas irregularidades investigadas.

A operação da Polícia Federal denunciou um esquema criminoso envolvendo empresários do agronegócio e fiscais agropecuários que facilitavam a emissão de certificados sanitários para alimentos inadequados para o consumo. De acordo com a PF, frigoríficos envolvidos nesse esquema criminoso “maquiavam” carnes vencidas e as reembalavam para venda. As empresas subornavam fiscais para que autorizassem a comercialização do produto sem a devida fiscalização.

Segundo os investigadores da força-tarefa, o esquema envolvia servidores das superintendências regionais do Ministério da Agricultura no Paraná, em Minas Gerais e Goiás. Ainda de acordo com a Polícia Federal, as propinas seriam divididas com políticos do PP e do PMDB.

O escândalo correu o mundo. Para o New York Times, o episódio “lança dúvidas sobre a indústria brasileira do agronegócio”. O diário americano ressaltou que o “partido do presidente Michel Temer” também é acusado de receber propinas. A rede de televisão CNN relatou que “a notícia foi recebida com raiva e frustração no Brasil, que já está cambaleando com os escândalos de corrupção que afetam os mais altos escalões do governo”. O futuro da indústria de carne brasileira, que “ascendeu na última década para se tornar uma das mais importantes do mundo”, também foi questionado pelo Financial Times.

O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e o maior exportador, fornecendo para mais de 150 países. A carne imprópria para consumo era destinada tanto ao mercado interno quanto à exportação.

No domingo 19, Temer teve uma série de reuniões com ministros e com cerca de 40 embaixadores dos principais países importadores de carne brasileira para tentar minimizar os estragos da operação para a economia. Ele anunciou mais rigor na fiscalização dos frigoríficos brasileiros e determinou auditorias nos estabelecimentos envolvidos no esquema.

Segundo Temer, os problemas descobertos pela Operação Carne Fraca são pontuais: “É importante sublinhar que dos 11 mil funcionários do Ministério da Agricultura, apenas 33 estão sendo investigados e das 4.837 unidades sujeitas a inspeção federal, apenas 21 estão supostamente envolvidas em irregularidades”, disse ontem.

A despeito dos esforços do governo para minimizar o problema, a Comissão Europeia pediu ao Brasil para retirar imediatamente os frigoríficos citados no escândalo da lista de estabelecimentos autorizados a exportar para a União Europeia. O Chile também decidiu, nesta segunda-feira 20, suspender temporariamente suas importações de carne do Brasil, informou o Ministério da Agricultura. A China e a Coreia do Sul também cessaram as compras até receber esclarecimentos.

O caso emergiu em um momento bastante sensível, quando o Brasil e outros países do Mercosul procuram um acordo de comércio com a UE. Além disso, faz pouco tempo que os Estados Unidos abriram as portas para a carne crua do Brasil. As importações começaram em 2016.

*Com informações da Deutsche Welle e da Agência Brasil.

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