Política

Operação Carne Fraca

Ministério da Agricultura exonera superintendentes de Goiás e Paraná

por Redação* — publicado 20/03/2017 14h26, última modificação 20/03/2017 15h22
Medidas integram esforço do governo para evitar derrocada nas exportações de carne. A União Europeia já emitiu sinal de alerta
Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
Ministério da Agricultura

Policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão no Ministério da Agricultura na sexta 17

Em portaria divulgada nesta segunda-feira 20, o Ministério da Agricultura exonerou os superintendentes federais de agricultura, pecuária e abastecimento de Goiás, Júlio César Carneiro, e do Paraná, Gil Bueno de Magalhães. Na sexta-feira 17, após a Polícia Federal deflagrar a Operação Carne Fraca, o governo anunciou o afastamento de 33 servidores suspeitos de envolvimento nas irregularidades investigadas.

A operação da Polícia Federal denunciou um esquema criminoso envolvendo empresários do agronegócio e fiscais agropecuários que facilitavam a emissão de certificados sanitários para alimentos inadequados para o consumo. De acordo com a PF, frigoríficos envolvidos nesse esquema criminoso "maquiavam" carnes vencidas e as reembalavam para venda. As empresas subornavam fiscais para que autorizassem a comercialização do produto sem a devida fiscalização.

Segundo os investigadores da força-tarefa, o esquema envolvia servidores das superintendências regionais do Ministério da Agricultura no Paraná, em Minas Gerais e Goiás. Ainda de acordo com a Polícia Federal, as propinas seriam divididas com políticos do PP e do PMDB.

O escândalo correu o mundo. Para o New York Times, o episódio "lança dúvidas sobre a indústria brasileira do agronegócio". O diário americano ressaltou que o "partido do presidente Michel Temer" também é acusado de receber propinas. A rede de televisão CNN relatou que "a notícia foi recebida com raiva e frustração no Brasil, que já está cambaleando com os escândalos de corrupção que afetam os mais altos escalões do governo". O futuro da indústria de carne brasileira, que "ascendeu na última década para se tornar uma das mais importantes do mundo", também foi questionado pelo Financial Times.

NYT
Propinas foram destinadas ao 'partido do presidente Michel Temer', ressaltou o NYT (Reprodução)

O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e o maior exportador, fornecendo para mais de 150 países. A carne imprópria para consumo era destinada tanto ao mercado interno quanto à exportação.

No domingo 19, Temer teve uma série de reuniões com ministros e com cerca de 40 embaixadores dos principais países importadores de carne brasileira para tentar minimizar os estragos da operação para a economia. Ele anunciou mais rigor na fiscalização dos frigoríficos brasileiros e determinou auditorias nos estabelecimentos envolvidos no esquema.

Segundo Temer, os problemas descobertos pela Operação Carne Fraca são pontuais: “É importante sublinhar que dos 11 mil funcionários do Ministério da Agricultura, apenas 33 estão sendo investigados e das 4.837 unidades sujeitas a inspeção federal, apenas 21 estão supostamente envolvidas em irregularidades”, disse ontem.

A despeito dos esforços do governo para minimizar o problema, a Comissão Europeia pediu ao Brasil para retirar imediatamente os frigoríficos citados no escândalo da lista de estabelecimentos autorizados a exportar para a União Europeia. O Chile também decidiu, nesta segunda-feira 20, suspender temporariamente suas importações de carne do Brasil, informou o Ministério da Agricultura. A China e a Coreia do Sul também cessaram as compras até receber esclarecimentos.

O caso emergiu em um momento bastante sensível, quando o Brasil e outros países do Mercosul procuram um acordo de comércio com a UE. Além disso, faz pouco tempo que os Estados Unidos abriram as portas para a carne crua do Brasil. As importações começaram em 2016.

*Com informações da Deutsche Welle e da Agência Brasil.