‘Michelle está no circuito agora’, disse Dominguetti em mensagem sobre negócio com o governo

No suposto diálogo, o PM conversa com um interlocutor identificado como Rafael sobre a tentativa do grupo de chegar a Bolsonaro

Presidente da República, Jair Bolsonaro, e a Primeira-Dama, Michelle Bolsonaro. Foto: Carolina Antunes/PR

Presidente da República, Jair Bolsonaro, e a Primeira-Dama, Michelle Bolsonaro. Foto: Carolina Antunes/PR

Política

Supostas mensagens trocadas pelo policial militar Luiz Paulo Dominguetti mencionam a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, no caso da negociação entre a Davati Medical Supply e o governo de Jair Bolsonaro por 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca – possivelmente com pedido de propina, segundo o próprio Dominguetti.

 

 

As informações são do repórter Gustavo Maia, da Veja. No suposto diálogo, em 3 de março deste ano, Dominguetti conversa com um interlocutor identificado como Rafael sobre a tentativa do grupo de chegar a Bolsonaro.

“Michele (sic) está no circuito agora. Junto ao reverendo. Misericórdia”, escreveu o PM. O ‘reverendo’ seria Amilton de Paula, que entrou na mira da CPI da Covid por receber um aval do então diretor de Imunização do Ministério da Saúde, Laurício Monteiro Cruz, para negociar em nome do governo a compra dos imunizantes.

Após a menção à primeira-dama, Rafael insiste: “Quem é? Michele Bolsonaro?”. Dominguetti, então, confirma: “Esposa sim”.

Rafael sugere, por fim, que Dominguetti acione o CEO da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho. “Pouts. (sic) Avisa o Cris”.

 

Outros diálogos

Em 6 de julho, horas depois de o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), anunciar a retirada do sigilo de mensagens do celular de Luiz Paulo Dominguetti, começaram a vir à tona conversas mantidas pelo policial militar. À comissão, o PM confirmou ter recebido um pedido de propina em uma negociação de vacinas com o Ministério da Saúde.

Parte das conversas foi obtida e publicada pela revista Veja. Em uma delas, Dominguetti, que se apresenta como operador da Davati Medical Supply, sinaliza ter acesso a informações provenientes do gabinete do presidente Jair Bolsonaro. É o que indica um diálogo com o CEO da companhia, Cristiano Carvalho.

Após comunicar o chefe sobre uma negociação de vacinas, Dominguetti diz que a fonte das informações é o “Gabinete da Presidência da República”. Antes, Carvalho havia questionado se a origem da informação seria o “coronel Blanco”, ao que Dominguetti respondeu com “melhor que ele”.

Conforme os diálogos obtidos por Veja, Dominguetti também afirmou que Carvalho conseguiria um encontro com Bolsonaro. “Estão viabilizando sua agenda com o presidente”, disse o policial ao CEO da Davati.

O presidente da República é citado em outra conversa, mantida entre Dominguetti e uma pessoa identificada como Renato. “Ontem o Amilton falou com Bolsonaro, ele falou que vai comprar tudo”, disse o interlocutor ao PM, possivelmente em referência a vacinas.

A análise das mensagens ainda revelou que o grupo representado por Luiz Paulo Dominguetti negociou vacinas com empresas, como a Havan, do bolsonarista Luciano Hang. Em 31 de março deste ano, Dominguetti escreveu a Cristiano Carvalho: “Pessoal da Havan e do MT estão no meu pé para fechar, mas sem este não avança”.

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