Política
Mendonça é sorteado como relator de pedido para suspender processo do golpe
O habeas corpus partiu de Hélio Ferreira Lima, réu do núcleo 3 da trama golpista
A defesa do tenente-coronel Hélio Ferreira Lima pediu ao Supremo Tribunal Federal a suspensão da ação penal na qual ele é réu por tentativa de golpe de Estado. O ministro André Mendonça foi sorteado como relator do habeas corpus.
Os advogados alegam haver “nulidades processuais insanáveis, flagrante excesso de prazo da prisão preventiva e manifesta ausência dos requisitos legais para a custódia cautelar”. Relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes não participou do sorteio sobre o HC.
Lima é réu do núcleo 3 da trama golpista. Ainda que Mendonça acate a solicitação, não paralisará as ações sobre os outros grupos — o chamado núcleo crucial, por exemplo, vai a julgamento a partir desta terça-feira 2.
O processo contra o núcleo 3 está na fase de alegações finais. Entre os réus há nove militares de alta patente e um agente da Polícia Federal acusados de atacar o sistema eleitoral e articular ações que criaram as condições para a ruptura institucional — entre elas, um plano para assassinar autoridades que resistissem ao golpe. Veja a lista:
- Bernardo Romão Correa Netto, coronel;
- Estevam Cals Theophilo Gaspar De Oliveira, general da reserva;
- Fabrício Moreira de Basto, coronel;
- Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel;
- Márcio Nunes de Resende Júnior, coronel;
- Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel;
- Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel;
- Ronald Ferreira de Araújo Júnior, tenente-coronel;
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel; e
- Wladimir Matos Soares, agente da Polícia Federal.
Os réus respondem por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado por violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e deterioração de bem tombado.
O julgamento, ainda sem data marcada, ocorrerá na Primeira Turma do STF, da qual fazem parte Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Além do golpe: os outros processos contra Bolsonaro no STF
Por Vinícius Nunes
Quem pagou o golpe ainda colhe lucros
Por Daniel Camargos
O que Bolsonaro espera de Lira na véspera do julgamento do golpe
Por Vinícius Nunes



