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Mauro Vieira critica atuação da ONU e cobra a retomada do multilateralismo em meio à guerra no Irã

O chanceler avalia que o organismo tem papel ‘secundário’ no conflito e defende negociações e respeito ao direito internacional

Mauro Vieira critica atuação da ONU e cobra a retomada do multilateralismo em meio à guerra no Irã
Mauro Vieira critica atuação da ONU e cobra a retomada do multilateralismo em meio à guerra no Irã
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira 18, em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, que a atuação da ONU tem sido limitada diante da escalada do conflito no Oriente Médio e defendeu a retomada do protagonismo do sistema multilateral como caminho para a paz.

“No atual contexto de conflito no Irã, as Nações Unidas têm desempenhado papel secundário nas tratativas relativas à crise”, disse o chanceler. Segundo ele, apesar de o Conselho de Segurança ter realizado uma reunião de emergência e aprovado uma resolução, “não há até o momento indicação de que medidas concretas estejam sendo desenvolvidas no âmbito da ONU”.

Vieira avaliou que, diante desse cenário, as articulações têm migrado para negociações diretas entre países. “Observamos movimentações voltadas à resolução do conflito no plano bilateral”, afirmou. Ele criticou ainda a prioridade dada a estratégias militares no cenário internacional: “Hoje é dado mais espaço aos interesses ligados às guerras do que às iniciativas em defesa da paz e do combate à fome”.

Diante disso, o ministro defendeu uma reorientação da ordem internacional. “Precisamos reverter esse quadro e resgatar e fortalecer o sistema multilateral, que deve ter a ONU em seu centro e o direito internacional como sua baliza”, afirmou. Segundo ele, o Brasil sustenta historicamente uma atuação baseada em regras, ressaltando que essas normas devem assegurar “o direito de legítima defesa, mas não legitimem o uso indiscriminado da força”.

Na audiência, Vieira também reiterou o posicionamento brasileiro de condenação à escalada militar e de defesa da solução diplomática. “Condenamos expressamente e expressamos grave preocupação com os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã”, enfatizou. Para o chanceler, as ofensivas ocorreram em um momento sensível: “Enfatizamos que os ataques ocorreram em meio a um processo negociador entre as partes, que é o único caminho viável para a paz”.

Ele acrescentou que o Brasil tem feito apelos por contenção. “A publicação [de nota] ainda apelava a todas as partes que respeitassem o direito internacional e exercessem máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e assegurar a proteção de civis e infraestrutura civil.”

A audiência ocorre em meio à pressão de congressistas por esclarecimentos sobre a política externa brasileira e os impactos da crise. Ainda nesta manhã, Mauro Vieira participa de nova sessão, desta vez na comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, onde deve voltar a ser questionado sobre a posição do Brasil no conflito.

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