Política
Marco Aurélio atrela vídeo de hienas a “cortina de fumaça” no caso Queiroz
Ministrou questionou a publicação do vídeo, justamente no momento em que surgem novos áudios atrelando Queiroz a Carlos Bolsonaro
O ministro do STF, Marco Aurélio Mello, insinuou que o vídeo publicado, e depois apagado, que compara Jair Bolsonaro a um leão e STF, PSL, OAB e outras instituições, a hienas, pode servir como “cortina de fumaça” para desviar a atenção dos áudios envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz, investigado por recolher dinheiro de funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), a chamada ‘rachadinha’.
“Eu tenho que nada surge sem uma causa. Qual seria a causa? Qual é o descontentamento com o Supremo? (…) Agora, é uma coincidência muito grande que esse foco surja justamente numa hora em que aparece essas coisas envolvendo o assessor Queiroz”, afirmou em entrevista à Rádio CBN. O ministro Celso de Mello também criticou o vídeo, ao comentar que “o atrevimento presidencial parece não encontrar limites na compostura que um Chefe de Estado deve demonstrar no exercício de suas altas funções”.
Em um dos áudios divulgados pela Folha de S. Paulo ao longo da semana, Queiroz aparece conversando com o presidente Bolsonaro sobre a demissão de uma funcionária do gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, pois haviam suspeitas de que ela não trabalhava efetivamente no local, fosse uma “funcionária fantasma”.
Cileide Barbosa Mendes, de 43 anos, trabalhou na casa da família Bolsonaro desde os anos 90 e chegou a ser nomeada no gabinete de Carlos Bolsonaro. O áudio não deixa claro quando aconteceu a conversa entre o ex-assessor e o presidente. Bolsonaro reconheceu a conversa e disse que a mudança da funcionária foi algo normal, sem nada para espantar,e que todos os funcionários dos filhos estavam cientes de possíveis demissões por conta da mudança para Brasília.
Jair e Flávio Bolsonaro afirmam que não conversam com o ex-assessor desde o final do ano passado, quando veio à tona o relatório no qual o Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) revela uma movimentação financeira atípica nas contas de Queiroz.
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